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Archive for the ‘Música’ Category

Imortal

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Certos eventos foram tão marcantes para a história que com o passar do tempo, as pessoas lembrarão deles de maneira nostálgica, como “ah, eu estava lá quando o Internacional foi campeão brasileiro em cima do Corinthians”, ou “sim, estava no anel superior quando o Grêmio venceu o Peñarol e foi campeão da Libertadores”. Vejam que eu nem citei coisas como a queda do Muro de Berlim. Brega demais.

Pensando por esse aspecto, terei bastante história para contar para os meus netos quando for chegada a hora. Também poderei contar para vocês agora, sobre esse momento que ninguém que foi esquece.

Capitulo 1 – A viagem

Curiosamente, a história começa no ponto mais ideologicamente diferente possível, dos Estados Unidos para a União Soviética. No caso, essa história começa no Olímpico Monumental, no dia anterior ao show. Assisti ao jogo do Tricolor Gaúcho com alguma indiferença, até pelo jogo ter se resolvido cedo. Com uma atuação convincente, o Grêmio logo despachou o Ceará e lhe aplicou uma sonora goleada.

Logo depois xis com o pessoal do jogo. Não me senti muito bem, preferi dispensar o xis. Sintomas de febre, ainda por cima. Mas tudo bem, não ta morto quem peleia.

Esperei o onibus para ir para o “outro lado”. Ele não veio. Era quase onze horas, eu estava sozinho numa parada de onibus da Azenha, tinha fumado uns dois cigarros e nada de onibus. Um taxi parou na minha frente, no sinal fechado.

Ok, entendi a mensagem Destino. Peguei o Taxi.

Capítulo 2 – Anoiteceu em Porto Alegre

O plano original (ou algo que podemos chamar assim, pois nunca houve sequer parecido com um plano) era passar a noite na fila. Sozinho, no frio, sem nada alem de uma camiseta flanela xadrês como companhia.

A realidade felizmente foi beem diferente.

Ainda no jogo do Grêmio uma amiga minha me ligou dizendo que iria no show e já estava na fila. Pediu para eu ir lá com ela.

Então, ainda sentado no chão, usando uma camisa xadrês para espantar o frio, escorado na Fortaleza Inimiga (leia-se, o Beira Rio), pelo menos tive alguma companhia.

Curioso detalhe que os carros que passavam na Padre Cacique tinham o costume de buzinar para nós na fila. Talvez como maneira de mostrar solidariedade. Um até cantou Imagine, do John Lennon, provavelmente confundindo quem iria cantar. Um gritou para nós irmos “trabalhar”. Solidarizo-me de um cidadão que estava voltando o serviço as quatro da manhã do domingo.

Ok, não foi como eu imaginava, um “pistoleiro solitário” sozinho numa terra amaldiçoada… Mas foi divertido. Até puxei uma briga, atirando o meu casaco na cara de um guri que estava há horas reclamando de frio. Ele sabiamente preferiu se cobrir com o casaco e agradecer. Sorte dele…

Capítulo 3 – A dois passos do paraíso

Chegou a manhã. Com ela, veio o calor e as pessoas. Muito calor e muitas pessoas. Ainda assim o cansaço estava começando a bater. Ainda haveria um dia inteiro pela frente, um dia longo. O tempo é teimosamente mais devagar quando ele deve passar rápido.

Ainda de manhã Eles (os organizadores) resolveram começar a formar as filas. Isso foi bom por um lado, pois dava a quem chegou cedo a chance de já reservar seu bom lugar. Ainda assim, isso significava que todos nós iriamos para debaixo do Sol, torrar até ele ficar encoberto pela sombra da Fortaleza.

Nesse ponto, quase uma da tarde, resolvi ir almoçar. Pizza de queijo. Era a primeira comida que eu colocava no estomago desde… o almoço de sábado.  Mas ainda assim, forte nos meus ideais.

Num evento inédito, escutei o GP do Brasil no rádio. Foi muito comentado até minha cara de sofrimento, imaginando as ultrapassagens e tempos. Terminou como era previsto, e a decisão ficou para Abu Dhabi. Haja coração, amigos da Rede Globo.

Uma pequena confusão com uma ambulâcia (ainda não entendi o que aconteceu). Depois de mais um tempo, portões abertos, a fila começa a andar. Revista, abre mochila, passa cartão, a roleta te comprimenta.

Entramos.

Agora eu sei como Ulisses se sentiu quando, depois de dez anos de cerco, finalmente penetrou as muralhas de Tróia.

Capítulo 4 – Atras das linhas inimigas

Entrei no Beira Rio, andei pelo gramado e mijei no banheiro químico. Uma parte minha preferiria mijar no gramado e depois queimar o banheiro químico. Mas, não desejando atrazar o show, preferi usar de civilidade. Fiquei colado na grade que dividia o Gramado Pobre do Gramado Rico, mais perto do palco. Obviamente do lado pobre.

Expremido entre uma cerca e uma turba de pessoas, sem poder sentar, com as pernas já cansadas, sem comer há horas. Para ajudar, a produção colocou uns dances para tocar. Mesmo assim, resistimos, sabendo que dias melhores viriam. No caso, caiu a noite, e o horário se aproximava.

Começou a tocar umas músicas estranhas. Os telões laterais mostravam uma série de imagens. Estava próximo, muito próximo. A maioria das pessoas mal conseguiam respirar. Exatamente 21h e 10 minutos, ele entrou no palco.

Capítulo 5 – Hard Days Night

Foi exatamente como no filme. Um pedaço da memória racial humana ainda guarda muito bem informações como essas. É bem simples, você vê um rato ou uma barata, você tenta matá-la, você vê uma cobra e recua. E se você vê um Beatle, você grita como uma adolescente histérica. Independente de já ter quarenta anos e barba cerrada.

O show foi lendário demais para que alguém esqueça. A produtora disse que “foi o maior show da história de Porto Alegre”. Como não fui em todos, não posso afirmar, mas provavelmente chega perto.

Sir James Paul McCartney é um imortal, um gigante dentro do palco. Cada fala, cada gesto, cada piada, todas atingem ao público em cheio. É um verdadeiro rei, sua majestade é incontestável. Mesmo no alto de quase 70 anos (expectativa de vida mínima de 200), ele toca por três horas sem pausas e sem sequer beber uma agua, como que debochando de nós meros mortais. E quando Sua Majestade fala “mas bah tchê”, nem preciso dizer.

Dispondo do acervo de sua excelente carreira solo, combinada com o repertório inigualável dos Beatles, ele atira cada música na cara de seus fãs. Como uma missa, apenas os primeiros acordes são necessários para reconhecer a passagem.

Dentre todas as músicas que cantamos juntos, umas se sobressaíram. Something, com fotos de George Harrison no telão foi emocionante. Let it be, uma das minhas preferias dos Beatles. Live and let die, com os fogos e a emoção. E Hey Jude, pelo “nananananana” com todo o Beira Rio junto.

Pode parecer pouco, mas não é realmente necessário falar mais. Quem viu, se lembrará.

Capítulo 6 – Lá, e de volta outra vez

As pernas doiam, tinha sede, fome e um sono como numa havia sentido antes. Depois do show fomos aos poucos relembrando de nossa humanidade, de nosso corpo meramente mortal. Ainda planejava sair, mas minhas forças já estavam debilitadas. E o fedor também não ajudaria muito na balada.

Entre andar pela multidão, pegar onibus pro centro, ir para a Cidade Baixa (com uma lotação absurda), esperar horas para comer um xis, destaco meu momento indigente, ao dormir na praça da Estação Mercado. Sim, no chão mesmo. Todo mundo faz isso eventualmente, só que dessa vez não estava bêbado.

Durante todo esse tempo, nada falei sobre o show. Nada havia para ser dito. Entre todos, ainda restava aquele silêncio do choque.

A vida segue em frente, mas acho que um pedaço de nós ficou naquele 7 de novembro. E uma parte daquele dia ficará conosco até o fim.


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Written by Dyeison Martins

11 de novembro de 2010 at 14:52

Publicado em Música

Shows em Porto Alegre, e a vida de pobre

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O ano começou promissor aqui na capital dos gaúchos, que como acertadamente falou Humberto Gessinger, é mesmo longe demais das capitais (Rio e Sampa). Eu estava lá batendo cabeça com os metaleiros no Metallica (relato dessa odisséia headbanger pode ser encontrado nesse mesmo blog), e isso era recem janeiro. Seria apenas um vislumbre, ou haveria mais para nós?

Franz Ferdinand depois. Não vi. Deles eu só gosto de umas poucas músicas. Guns n Roses, eu quis ir, mas ver o Axl Roses gordo e decadente poderia ser um trauma forte demais para um garoto que passava seu dia treinando o riff de Sweet Child O’Mine. Nunca curti mesmo o Aerosmith (sim, pessoal Hard Rock chegou no Sul do Brasil com ligeiros trinta anos de atraso), mas ficou uma pequena dorzinha de não ter ido.

Também passaram por aqui uns lances meio indie rockers, mas deles nada posso dizer, afinal, não conheço essa gente. (Só por fazer jornalismo não quer dizer que eu me comporte como um). Sei que a Cat Power passou por aqui, e só porque uma amiga minha é alucinada por ela.

Tudo parecia acabado. Não haveria mais um grande show aqui (me corrijam se eu me esqueci de algum, mas os outros foram completamente indiferentes para mim).

Ai, Fito Paez. Ta, não é grande coisa, mas eu gosto bastante. Tudo bem que ele vêm a cada seis meses pra Porto, mesmo assim eu não fui ainda. Depois, Green Day.

Ora, eu fui adolescente nos anos noventa. Na realidade não, eu fui criança nos anos noventa e adolescente nos dois mil, mas isso não quer dizer que não cantei muito Basket Case, não me apresentei no colégio com When I Come Around. E toquei muitas vezes no violão Time Of Your Life para impressionar alguma mina. Ótimo. Fechariamos o ano com grande estilo. (Para os curiosos, até gosto da fase nova deles, mesmo sem ter escutado muito).

Ai, hoje mesmo chega uma notícia arrasadora. Um Grande Antigo vai pousar em Porto Alegre nas proximidades de final de ano. Não, não o Grande Cthulhu (espero). Paul McCartney, o último beatle legal vivo -nada contra o Ringo, mas não dá né. Apenas se os Rolling Stones viessem tocar aqui, os Bealtes reunidos (intervenção divina será?) ou o Elvis, se ele parar de se esconder por ai.

Então (vou imitar o Kerouac agora), isso é algo quase completamente absurdamente meio tipo assim fantástico, sabe como é? Algo praticamente inacreditável ainda.

O que doi é: Como faremos para chegar nisso tudo, sem vender o corpinho (ou algum orgão, o que é praticamente a mesma coisa) por ai? alguem por favor me dê uma idéia.

Written by Dyeison Martins

29 de setembro de 2010 at 20:44

Publicado em Música

Quase mil nos anos setenta

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Para quem leu meu texto sobre a minha briga para escutar alguns dos “1001 discos para se ouvir antes de morrer”, lembram que me foquei em desvendar década a década da história. Arbitrariamente pulei os anos cinquenta, já me focando nos sessenta. Bem, terminei-o, e escrevi um post sore as impressões que tive ao escutá-los.

Agora, os anos setenta…

Primeiramente, é interessante notar que poucas bandas que já faziam sucesso nos sessenta tiveram trabalhos de destaque nos setenta. Talvez apenas os Rolling Stones, mas mesmo assim numa proporção menor. Bob Dylan, por exemplo, após emplacar vários bons albuns, como Bringing it all back home, Freewheel Bob Dylan, Highway 61 revisited e (o meu preferido) Blonde on Blonde, teve como único trabalho de destaque o lendário Blood on the Tracks, que por sinal é ótimo (Desire também é bom).

O velho bardo canadense Neil Young, terminou os sessenta em alta e começou os setenta melhor ainda. After the Gold Rush é um dos meus albuns preferidos dele. Termina a década em grande estilo, com Rust Never Sleeps, que também é foda. Alias, um parenteses: o pessoal que fez a lista gosta muito do Neil Young, porque acho que a maioria das coisas que ele lançou está lá.

Outro amado pelo pessoal das listas, David Bowie, me decepcionou um pouco. Gostei muito do seu início dos anos setenta, principalmente do clássico The rise and fall of Ziggy Stardust and the Spiders of Mars. Depois, quando ele mudou seu som original, começou a inventar algumas coisas, seu trabalho caiu um pouco de rendimento, na minha opinião.

Muita gente boa surgiu nesse período. Como não gostar do Lynyrd Skynyrd (com o nome de album mais ridículo da história), do Dire Straits, T Rex, The Jam, Elton John, The Clash, Joy Division… E claro, do Bruce Springsteen. Outra galera que já estava nos anos sessenta, só que melhoraram bastante, é o Lou Reed e o Iggy Pop. Com dois trabalhos de grande qualidade (respectivamente, Transformer e Lust for Life), se firmaram com grandes artistas do rock mundial.

Com o surgimento de alguns brasileiros perdidos na lista, entre eles Chico Buarque, Milton Nascimento e Tom Jobin. Construção, do Chico, é muito bom, apesar de eu realmente não gostar da música título (a letra é legal, mas a melodia é insuportável). Tom Jobin aparece junto com Vinícius de Moraes, Toquinho e Miuxa para fazer um show lendário no Canecão, em 77. Nesse show estão os maiores clássicos da Bossa Nova, como Corcovado, Sei Lá, Pelas luz dos olhos teus, Garota do Ipanema… sim, todos os temas de abertura de novela do Manuel Carlos.

E por fim, uma confissão. Como era bom o George Harrison. Ninguém dava muita bola para ele. E com a dupla Lennon/MacCartney do seu lado, é difícil mesmo se fazer notado. Só depois eu fui descobrir que coisas como Something eram dele. Here comes the sun era sua cara, e ficou para mim como um dos muitos hits eternos da banda. Seu primeiro disco solo, All Things Must Pass, é para mim o melhor album solo de um Beatle (e um dos maiores discos que eu já ouvi) e sua carreira solo é irretocável. Claro que eu sou um grande fã de Lennon, e MacCartney é um dos maiores compositores de todos os tempos, Mas o que Harrison lançou ficou para a história.

Agora, vou me concentrar na minha década natal, os anos oitenta. Muito Cure, Smiths e mais Springsteen.

Written by Dyeison Martins

23 de agosto de 2010 at 17:16

Publicado em Música

Serge Gainsbourg e a vida heróica

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Sim, ele foi um músico. Foi o cara que compôs “je’t aime moi non plus”. Mas não vou falar da música dele, e sim de um filme que foi feito em sua homenagem, recentemente.

Misturando realidade, ficção e fantasia, o filme consegue nos mostrar um pouco da personalidade controversa do cantor. De jovem um tanto arrogante e metido há homem destruido por seus próprios erros, ele consegue sempre evitar uma impressão de mau carater, ou de cruel mesmo. Digamos que perdoamos seus erros por sua indole de “malandro legal”. Aquele tipo de cara que tu sabe que não vale nada, mas gosta mesmo assim.

Tanto que os outros personagens do filme são todos secundários. Algumas participações especiais de gente famosa, todos muito bem caracterizandos, mas que aparecem por apenas uma cena ou duas. Brigitte Bardot ficou ótima, idêntica. Só que fora isso, são poucos os personagens que ficam mais de algumas poucas cenas, salvo ele, seus pais e sua terceira esposa. O ator que faz Serge é ótimo, ficou idêntico, e atua de maneira soberba.

Eu não conheço muito da obra de Gainsbourg, mas a trilha sonora o filme é ótima, principalmente a fase mais “elegante” dele, a primeira. Alguns rocks também são legais.

A história é bem simples, quase um clichê nesse meio. Menino rebelde cresce e se transforma num homem um arrogante e charmoso. Se apaixona, faz sucesso e cai de cabeça no mundo da bebida. Graças a seu comportamento trangressor e auto-destrutivo, acaba machucando as pessoas que o cerca. No final, ele precisa buscar a redenção.

O que faz fugir um pouco isso, é que Gainsbourg tem amigos imaginários que interagem com ele o tempo todo. E inclusive interagem com as outras pessoas ao seu redor, principalmente seu alter-ego, o Pigmaleão, no caso uma versão caricata do próprio Serge, um boneco com orelhas e nariz gigantes. E que geralmente passa o tempo todo dando conselhos da “coisa errada” a ser feita.

A transformação de Gainbourg, de artista clássico e “careta” em astro do rock também é divertida, gradual e depois surpreendente. De cara convencional (pelo menos na aparência) a cara desleixado, de roupas modernas, cabelos e barba por fazer, é ótima. De homem que valorizava a sua privacidade até  artista escandaloso e marketeiro. Mas sempre como uma figura única e talentosa.

É como eu disse, a história em si não tem nada de novo. O legal do filme é a maneira como ela é passada.

Written by Dyeison Martins

13 de agosto de 2010 at 18:47

Publicado em Filmes, Música

Do começo, os anos sessenta

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Nessas andanças pelo mundo virtual, encontrei perdido num blog obscuro algo que só conseguiria comparar com o Santo Graal, ou a Pedra Filosofal (por favor, sem comparações com o Harry Potter gente): a lista com os 1001 discos para baixar.

Talvez você não esteja entendendo o que estou tentando dizer. Saiu há uns anos atrás um livro enorme com o pretencioso título “1001 Discos para se ouvir antes de morrer”. Depois dele, veio uma série, com “1001 Filmes”, ou depois “1001 Vinhos” e sabe-se lá mais o que. Independente de ser bom ou não, ou me agradar. O fato é que tem muita coisa realmente boa naquele livro, desde óbvios como Beatles e Rolling Stones até coisas um pouco mais insuspeitas, como Serge Gainsbourg ou Chico Buarque (não estou dizendo que é ruim eu gosto bastante, mas não imaginava que seria possível encontrar).

Então, como pessoa muito metódica, resolvi inovar. Não tenho o menor desejo de escutar todos os 1001 discos, pelo menos não hoje. Mas resolvi seguir a ordem dos discos que me chamassem a atenção. Começar pelos anos sessenta, lá do início, com Bob Dylan, The Beatles e The Byrds, até o final com The Stooges e Velver Underground. Claro que já havia bastante coisa que eu conhecia, mas escutar no formato de disco mesmo, da primeira a última música, é outra experiência. E não só uma vez, é claro.

(Um dos grandes problemas com essa história de baixar mp3 é que tu acaba escutando a música uma vez, duas e depois nunca mais. Isso faz com que tu acabe escutando muito superficialmente muita gente boa, que se fossem dez anos atrás tu compraria discos e escutaria no repeat em sua casa).

Isso me fez rever alguns conceitos. Neil Young, por exemplo, tanto no Buffalo Springfield como na carreira solo, é bom demais. Tinha escutado pouca coisa dele e gostado, mas escutando o Everybody this is Nowhere, e o Again, o cara é bom mesmo. (Mas o After the Gold Rush consegue ser melhor ainda).

Prefiro o Lou Reed solo. Não que o Velvet Underground seja ruim, muito pelo contrário. Mas prefiro o som mais pop e menos experimental dele. Claro que Pale Blue Eyes, Heroin e Waiting for the Man são ótimas.

Bob Dylan ficou bem melhos depois que abandonou essa história de folk, e acrescentou outros instrumentos e uma levada mais rock ao seu estilo. Freewheeling Bob Dylan é até bom, mas está longe de se comparar com o meu preferido, Blonde on Blonde.

Eu achava The Byrds legal, e Leonard Cohen mais ou menos. Escutei um monte de Byrds e os dois do Leonard Cohen. Hoje Byrds é bem mais ou menos, e o Cohen é foda.

E uma questão para a eternidade, que talvez eu nunca consiga responder. Qual é o melhor album dos Beatles? Abbey Road ou o branco? Sgt. Peppers e o Revolver são legais também (para não falar no Let it Be), mas são esses dois que moram no meu coração. Tendo suavemente ao Abbey Road, mas não muito.

Quando eu terminar os anos setenta (que vai demorar, tem muita coisa boa também) eu volto de novo.

Written by Dyeison Martins

4 de agosto de 2010 at 16:47

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Sempre o Cazuza

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Esse ano foi lembrado o aniversário de 20 anos da morte de um dos maiores compositores que o rock brasileiro já teve, Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. Primeiro o vocalista da banda Barão Vermelho, depois com uma exitosa carreira solo. Os problemas com a AIDS serviram apenas para aumentar a lenda da grande figura que ele foi.

É complicado tentarmos intender o porque o Cazuza foi tão importante não só para o rock, mas para a música brasileira de maneira geral. Por ser o lider e frontman de uma das primeiras verdadeiras bandas brasileiras, o Barão Vermelho, ele conseguiu arrebanhar os jovens da época com algumas músicas realmente boas, tanto no rock quanto no blues (o Barão Vermelho original tinha uns blues muito bons, tipo Down em Mim). Depois, na sua carreira solo, uniu ao pop/rock uma levada maior de estilos, como  o samba, a bossa nova…

Por sua mistura nos mais variados estilos, e com isso agradando um público que ia dos jovens ao mais velhos, Cazuza deixou um pequeno legado, mas de grande qualidade.

Written by Dyeison Martins

14 de julho de 2010 at 17:25

Publicado em Música

A trilha de (500) Days of Summer e os indies

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Depois de passar dias escutando toda espécie de elogios ao filme dito cujo “500 days with Summer”, ou como ficou traduzido, “500 dias com ela”, e principalmente a trilha sonora. Regina Spektorm Black Lips, Dove, Wolfmother, Mumm-Ra (nome sensácional para uma banda)…

Olha, pelo que eu vi essas foram as bandas indies que fizeram a cabeça dessa galerinha esperta e descolada que curtiu muito os anos 00. Não é o meu caso, porque eu nunca fui esperto, muito menos descolado. E curti os anos 00 escutando Smiths, The Cure, Nirvana e essas coisas. Então, quando a Nassim me emprestou o CD com a trilha do filme, eu tive muito prazer em pegar e escutá-lo.

Na realidade, tive prazer em começar a escutar, não a terminar. Eu sei que eu vou ser chamado de velho, de chato e de antiquado, até por isso ser mesmo verdade. Mas essas músiquinhas não dá para querer. Puta merda, guitarrinhas, vocais agudinhos. Aquela Regina Spektor parece uma versão piorada da Bjork, e ainda mais desafinada. A Zooey Deschanel, apesar de ser bem bonitinha, fez uma versão para “please, please, please, let me get what a want” sofrível.

Finalizando: o pessoal que curte terninhos apertados, Londres, cabelos propositalmente despenteado e Ray Bans, podem curtir o que vocês quiserem. Mas que é música ruim, é. E o estilinho anos 60 já deu o que tinha que dar.

Prefiro seguir abraçado no meu bom e velho Oasis, Cure, Smiths, Nirvana…

Written by Dyeison Martins

28 de abril de 2010 at 18:23

Publicado em Música