Blog do Dyeison

é o blog do Dyeison

Archive for the ‘Literatura’ Category

O Jogo do Anjo, mais um do Zafon

leave a comment »

Teci nesse mesmo blog inúmeros elogios A Sombra do Vento, livro de Carlos Ruiz Zafon, emprestado pelo meu amigo Henrique (ele exigiu os créditos, então está ai, comente depois mano).

Não vou repetir os inúmeros elogios para o livro. O problema é que qualquer análise que eu faça sobre O Jogo do Anjo, livro mais recente de Zafon.

A história é bem interessante. David Martin é um jovem pobre, que trabalha numa redação de jornal como auxiliar. Começa a escrever uma série de contos de histórias policiais. Ele é demitido, mas consegue um contrato para escrever uma longa série de livros nesse estilo. Depois ele vai se meter num casarão cheio de histórias perdidas, e será perseguido por um homem que deseja que ele escreva um livro sagrado. Sim, não há muito sentido, tudo só será explicado mais para frente.

Claro que existem semelhanças no estilo. A escrita ainda é rápida e precisa, com uma trama bem bolada e amarrada. A história prende do início ao fim, com saltos e momentos de impacto.

Mesmo assim Zafon não cai no erro de simplesmente repetir a formula de sucesso e ganhar mais uns dólares com isso. A trama é bem diferente, começa num ponto anterior na história de Barcelona. David Martín começa mais velho, e vai terminar a história com mais de trinta, diferente de Daniel, que passa a história toda sendo só um adolescente.

Enquanto A SdV é uma narrativa mais lírica, alternando momentos de contos de Poe, com lirismo e romance, numa prosa sobre conhecimento e amadurecimento; O JdA é friamente uma história de investigação. Existe amor sim, mas não tem a inocência de seu predecessor. É uma narrativa mais madura.

O que eu realmente senti falta foram as pérolas. Enquanto o primeiro teve um calhamaço de boas pérolas, o JdA tem poucas, mas igualmente boas. “O homem é o elo perdido entre o suíno e o pirata”.

Por fim, o Zafon vem se revelando um dos melhores autores novos. Se conseguir mantiver o nível de seus trabalhos, vai longe o rapaz.

Anúncios

Written by Dyeison Martins

27 de outubro de 2010 at 15:24

Publicado em Literatura

Dexter, os livros

leave a comment »

Sim, sou um cara atrasado. O típico homem atrás de meu tempo. Tanto que recomendo esse blog para pessoas que querem se informar melhor do que aconteceu ontem. Coisas como zumbis, Star Wars, Led Zeppelin…

A “antiguidade” escolhida dessa vez foi a série de livros do Dexter. Não, nenhum escritor chamado Dexter, e sim a personagem principal da série. É mais conhecida pela série de TV.

Basicamente, Dexter Morgan é um psicopata. Um serial killer, que caça e mata outras pessoas. O charme da história é que ele caça e mata apenas outros serial killers, como maneira de se manter limpo e bom, nos seus termos. Geralmente tortura e mata suas caças com requintes de crueldade, mas tudo por uma boa causa. Afinal, são assassinos.

Essa entrada pode fazê-lo pensar que se trata de um livro pesado, denso e questionador sobre os atos de Dexter. Ledo engano.

A história é até bem cômica, sempre enfatizando as diferenças de Dexter para os outros, com ele próprio se declarando não humano, tendo uma tremenda dificuldade de lidar com as pessoas. Ele consegue, muito bem, é se fingir de comum, parecendo alguem que passou a vida inteira assistindo TV com esse propósito. O de se disfarçar de humano. Mas sua falta de jogo de cintura, principalmente no quesito “flerte” é impagável.

Então eu recomendo bastante os três livros. “Dexter, a mão esquerda de Deus”, “Querido e devotado Dexter” e “Dexter no escuro”. A leitura é rápida e nem um pouco cansativa, a história é sempre interessante, com idas e vindas. O texto é bem humorado, quase fazendo de conta que não percebe as crueldades e o volume de sangue que corre.

E vamos admitir, o Dexter é um cara muito legal. Tanto que até considero sair por ai caçando assassinos e os estripando.

Porque não existem serial killers em Porto Alegre afinal de contas? Que sacanagem.

PS: Não vi a série. Ainda.

Written by Dyeison Martins

14 de outubro de 2010 at 15:27

Publicado em Literatura

O Senhor dos Anéis

leave a comment »

Desde pequeno eu sempre gostei muito de ler. Desde revistinhas da Herói, do tempo que era pequeno até os livros do Sidney Sheldon. Depois, tive uma fase Segunda Guerra Mundial, o que pode ser a causa das minhas paranóias com nazistas. Mas ainda não era um leitor. Mas tudo mudou em 2002.

Chegou no cinema, com um enorme hype da mídia, o primeiro filme da trilogia O Senhor dos Anéis. Eu, como RPGista e fã de mundos medievais (ah sim, se ainda não perceberam, eu sou bem nerd), não poderia deixar de ir conferir de perto o que era a tal “maior obra da literatura fantástica”.

Nem preciso dizer que chapei na hora.

Depois, reuni os poucos pilas que tinha disponível (mesada, eu só conheço de boatos) e comprei O Hobbit. Até hoje considero uma das melhores leituras que já tive. Por ser um livro infantil, é rápida, agradável e cheia de ação. Pega 90% desses livros para adolescentes de hoje e surra como se o Brasil de 70 enfrentasse… Nova Guiné.

Depois, como é de prache, corri atrás dos volumes dA Trilogia. Comprei um no meu aniversário, outro de Dia das Crianças (acho que eu ganhei presente até os 18 anos, e francamente, se ganhasse até hoje, não me sentiria mal) e o último de Natal. Nesse meio tempo, como não trabalhava ou estudava (tinha uns 13 anos), pude lê-los umas cinco vezes cada.

Diferente do Hobbit, que é infantil e rápido, O Senhor dos Anéis é m texto longo, pesado e detalhista. Chega a cansar algumas vezes, devido a grande quantidade de detalhes que Tolkien nos fornece da Terra Média. A quantidade de poesia e de referências a outras obras (na época nem lançadas) também cansa um pouco. As poesias e músicas também cansam, mas depois de um tempo tu passa a gostar delas. Mesmo as em élfico (tanto Sindarin quanto Quenya, o qual eu arranho um pouco até hoje, acho).

Mas mesmo todos os problemas valem a pena. A história é inigualável. Os dramas humanos e as discussões filosóficas dessa história me surpreendem até hoje, para não dizer do que pensei quando tinha treze anos.

O exemplo mais clássico: “Muitos que vivem merecem a morte, mas muitos que morrem merecem a vida. Você pode dar a vida aos mortos? Então não sejá tão ávido a julgar e condenar pessoas a morte”. Do mago Gandalf para qualquer discussão referente a pena de morte que eu participe.

Faz muito tempo que eu não pego a trilogia e leio. Mas ela é definitivamente parte da minha vida. Depois de ler esses livros (e todos os outros do Tolkien), passei a ler com muito mais constância. Coisa que mantenho até hoje. Então, posso afirmar que O Senhor dos Anéis, foi o meu primeiro livro.

Written by Dyeison Martins

9 de setembro de 2010 at 19:54

Publicado em Literatura

Scott Pilgrim e uma história completamente nerd

leave a comment »

Eu não sou um cara de me empolgar com novidades, ainda mais novidades do mundo nerd. Sabem, depois de muito tempo nesse meio, lançamentos de jogos, filmes e RPGs param de te emocionar tanto quando tu era mais novo. Ou eu posso ser chato mesmo.

Sei que quando eu vi um trailer ao acaso do filme Scott Pilgrim contra o Mundo, comecei a mandar coraçõezinhos para os produtores do filme. É difícil analisar um filme pelo trailer, o resultado pode ser desastroso (por exemplo, um dos trailers mais fodas que eu lembro de ter assistido foi o do Star Wars Episódio I, e vocês sabem bem como ficou o filme). Diálogos rápidos, efeitos especiáis cartunescos e uma história clássica “garoto nerd conhece garota” que eu já falei tanto aqui.

Me interessei, procurei outros trailers, descobri que o filme sairá esse mês lá fora, mas só em novembro aqui no Brasil. Mas graças a uma feliz coincidência, uma amiga minha tem toda a coleção dos quadrinhos originais em inglês mesmo (e se declara uma das únicas pessoas no Brasil a possui-la). Como ela descobriu a série, não faço a menor idéia.

Então, já que o filme se encontra ainda distante, resolvi escrever sobre os quadrinhos. Antes que os mais xiitas urrem de desprezo e ódio xenófobo com o fato de eu colocar uma publicação de quadrinhos num quadro sobre literatura, duas coisas: o blog é meu e eu digo que aqui quadrinhos também é literatura. Em segundo e mais importante, quadrinhos também é literatura mesmo, e digo mais, Marvels, Watchman e o Cavaleiro das Trevas pulverizam (já que é um texto nerd, achei legal usar esses termos) com qualquer porcaria que o Dan Brown ou a Stephanie Meyer publicarem. E olha que eu nem coloquei o Paulo Coelho na jogada, seria fácil demais.

Resumindo rapidamente a história: Scott Pilgrim é um cara de 23 anos que não trabalha e toca numa banda muito ruim de rock. Mora com seu melhor amigo gay Wallace, e por falta de espaço, ambos dormem na mesma cama, na realidade, um futon. Tudo na casa é do Wallace, até as coisas de Pilgrim. Eis que, sem muito aviso, Scott conhece e se apaixona por Ramona Flowers, entregadora da Amazon. Ele, com uma mistura de cara de pau, carisma e bastante idiotice, consegue sair com ela. Eles ficam, dormem juntos (mas sem sexo, não sei exatamente como) e ele convida ela para sair de novo, ir num show de sua banda.

Lá, ele descubrirá que para namorar Ramona, ele terá que enfrentar a Liga dos Ex-Namorados do Mal de Ramona. Sendo que entre eles há uma ex-namorada, e dois gêmeos que ela namorou ao mesmo tempo. Claro que não serão combates normais, já que muitos deles possuem poderes misticos e Scott é considerado o melhor lutador de Toronto, com técnicas e capacidade de dar uns 60 e poucos hits num único golpe. Algo que eu mesmo não faço desde o Street Fighter x Marvel.

Não é uma história séria, e nem se preocupa em parecer. Há muitos comentários sobre coisas como filmes, músicas e games. Principalmente games. O traço é quase um manga, o que possibilita esquecermos coisas chatas como a realidade. Por isso existem poderes místicos, lutas fantásticas, e quando Scott vence os namorados, eles desaparecem deixando moedas e as vezes, itens, como o Skate de Mithril (lembram o casaco de malha de Frodo Bolseiro?).

Algo que realmente me chamou a atenção foi a visão divertida, porem nem um pouco exagerada, que o autor tem dos jovens de hoje. Scott tem 23 e não trabalha, vive com seu amigo gay Wallace, dorme na mesma cama que esse, e tudo na casa é dele. Inclusive a escova de dentes de Scott. Todos vivem no ócio, jogando videogames e escutando música. Vão a festas em lugares estranhos, e mesmo tendo vinte e poucos, nenhum possui coisas como empregos ou famílias, ou mesmo mostra qualquer amadurecimento maior que um adolescente de dezesseis anos. A mãe do principal mora na Europa, e liga eventualmente para saber do filho. Ramona é a clássica garota descolada de cabelos coloridos, bissexualidade e independência que são estereotipadas demais.

Também começo a achar engraçado as maneiras com que são retratados os jovens nerds de hoje. Apesar de ter tido algumas namoradas, Scott é visivelmente atrapalhado com as mulheres, de uma maneira quase caricata. Suas tentativas de chegar na Ramona são irrisórias. Seu namoro com Knives, no início, também é estranho devido ao fato dela ter apenas dezessete anos e estar no colegial, algo que todos consideram muito estranho. Passa muito tempo na frente do videogame, ou tocando guitarra. E por motivos ainda desconhecidos por mim, evita falar de seu emprego anterior, ou de NV, sua ex-namorada.

Não sei se é apenas impressão, mas eu vejo as figuras de rapazes inseguros e tímidos cada vez mais preponderantes na mídia. Desde os livros/filmes de Nick Hornby, o retorno triunfal do Homem-Aranha como maior herói de todos, filmes como (500) Dias com Ela… E agora, chega uma grande epopéia nerd sobre um rapaz que conhece uma menina, e para ficar com ela, precisa fazer coisas como vencer supervilões e tocar numa banda de rock.  E, claro, ganhar xp e gold com isso.

Eu já estou quase me sentindo um cara normal.

Written by Dyeison Martins

11 de agosto de 2010 at 17:44

Publicado em Literatura

A Sombra do Vento

with one comment

Sou sempre pouco comedido com elogios. Se eu gosto mesmo de alguma coisa, geralmente saio falando coisas como “ótimo”, “fantástico” e “genial”. Depois de um tempo acabo me arrependendo. Então, dei um tempo antes de escrever o que eu penso a respeito desse livro do jovem escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón. Mesmo depois de alguns dias, a sensação persiste. Então não pouparei elogios nesse caso. Se daqui uns cinco anos eu for ridicularizado por isso, me desculpem, foi o tolo Dyeison do passado (mais precisamente, um babaca de 21 anos) que escreveu falando tão bem desse livro.

Ok, vamos lá.

Creio que esse seja um dos melhores livros que eu li escritos nos últimos dez anos. Sério mesmo. Não é uma daquelas historinhas bobas, com vampiros ou auto-ajuda ou segredos da Igreja Católica. Ou pior ainda, escrito pelo Paulo Coelho.

Não, estamos falando de um livro. Sem aquelas pretensões de “vou escrever para conquistar um público e ganhar dinheiro”. Ta, eu sei que usar o adjetivo “honesto” é algo meio canastrão, coisa de crítico sem noção. Mas vale aqui.

Falando sobre o livro agora.

Damiel Sempere é um menino que perdeu a mãe muito cedo, então foi criado pelo pai, um livreiro. Aos onze anos, ao acordar entristecido por não recordar o rosto da mãe, é levado para conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos, uma biblioteca secreta, cheia de livros velhos, empoeirados e abandonados. Lá, encontra A Sombra do Vento, escrito por um tal Julian Carax, autor catalão desconhecido. Pega o livro, e se facina com uma história cheia de tramas mirabolantes de mistério e fantasia.

Esse livro iria ser fundamental no seu desenvolvimento como pessoa. Por causa dele, conheceria seu primeiro amor, por causa dele iria ser enredado numa trama que começou muitos anos antes de seu nascimento, cuja sombra ainda pesa sobre muitas pessoas. Principalmente os herdeiros do legado de Carax, ou o pouco que resta, já que alguem queimou todos os livros que ele escrevera, e todos os seus conhecidos (a princípio) sumiram. E por causa dele, vai ter que se apaixonar, lutar pelo seu amor e se tornar homem antes do tempo.

Se a história de Daniel é interessante, sobre o crescimento e amadurecimento de um homem, a segunda trama, que aos poucos vai sendo desvendada, sobre quem foi Carax, os Aldaya e Miquel Moliner e a história de amor proibido que tiveram, e seus reflexos neles hoje. Tudo isso no atribulado passado da Espanha, no início da ditadura de Franco e suas terríveis consequências na Espanha.

Também aparecem personagens celebres como Fermin, antigo espião do governo e hoje mendigo, de rara perspicácia e frase de efeito e sabedoria como “cortejar mulheres é como o tango, não faz sentido, é cheio de frescuras e quem tem que tomar a inicitiva é o homem”. Ou Don Gustavo Barceló, sábio literato e com sua parcela de máximas, como “desconfie daqueles que confiam em todo mundo”.

O próprio Daniel acaba conquistanto o leitor, com seu jeito inocente e tímido, característico de alguém que não cresceu rodeado de pessoas e amigos, e sim de livros e sua imaginação. É graças ao seu pai, a Fermín, a Clara e a Bea que ele vai amadurecer e ser capaz de enfrentar com coragem a trama na qual caiu por acidente.

As vezes poético, com toques de tramas de investigação e mistério e um pouco romântico (e cínico), A Sombra do Vento é um achado. É um livro de verdade, como poucos que são escritos hoje em dia.

Written by Dyeison Martins

23 de julho de 2010 at 18:57

Publicado em Literatura

A Trilogia da Crucificação Encarnada

leave a comment »

Já devo ter dito aqui que considero muito complicado escrever um texto sobre algo que me é muito próximo emocionalmente. Por isso ainda não escrevi nada sobre Star Wars, ou O Senhor dos Anéis, Legião Urbana, essas coisas. A muito custo, no final do ano passado, escrevi dois textos que ainda hoje gosto muito, sobre meus dois filmes preferidos: Noivo neurótico, noiva nervosa e Casablanca.

Mas depois de uma batalha de mais de quatro anos, e cerca de mil e quinhentas páginas percorridas, acho justo escrever sobre um livro que mudou a minha vida. Três, para ser mais específico. Sexus, Plexus e Nexus, A Trilogia da Crucificação Encarnada, e Henry Miller.

O primeiro eu ganhei do meu pai numa livraria qualquer em São Paulo, no meu aniversário de desessete anos, e agora, aos vinte e um, compro o segundo volume. O terceiro comprei um ano depois do primeiro. Na realidade, demorei tanto para achar o segundo porque ele nunca estava disponível em lugar nenhum. Ai, casualmente achei ele a venda na internet, e não perdi a oportunidade. Então devo admitir que ainda falta uma leitura continuada da história, da página um de Sexus até a quinhentos de Nexus, mas já que os livros são meus, isso poderá ser feito num momento futuro nem tão distante.

Henry Miller foi um dos maiores escritores norte-americanos de todos os tempos. Seus textos são recheados de pornografia (e daquele tipo interessante, digo, pesado), devaneios, passagens de sonhos, reflexões e momentos espirituais muito fortes. Ele fala ao mesmo tempo sobre sexo, sobre a vida, sobre sonhos, psicanálise, religião e o que mais que apareçeu na cabeça dele enquanto escrevia seus livros.

A Trilogia, em especial, é um relato meio auto-biográfico (pois não é 100% tudo verdade) sobre o momento na vida do autor onde ele, então com cerca de trinta anos, resolveu largar a esposa, filha, emprego e tudo o mais para ir morar com uma mulher de reputação duvidosa (prostituta, para ser mais específico) que o estimulava para seguir o caminho de escritor. Aqui vai meu obrigado a Sra. June Smith, onde quer que esteja, obrigado por fazer o Miller virar um escritor.

Só que, como eu já disse, nem tudo é verdade. Existem personagens e cenas prosaicas demais para serem verdade. Algumas até parecem ser falsas demais, mas podemos, com um pouco de força de vontade colocar no campo de acontecimentos extraordinários, outros nem com muita boa vontade.

Apesar disso, existem passagens e pensamentos do livro que são ouro puro, que eu nunca li antes em qualquer outro lugar. Uma maneira completamente original de ver a vida, o sentimento e as pessoas, que eu só consigo imaginar que sejam os ensinamentos dos mais altos mestres (que como Miller mesmo diz, estão por ai, e nós só não sabemos, ou preferimos, não vê-los e escutá-los), sobre aceitar a vida, o sofrimento e a fecidade juntos, pois somente assim podemos realmente desfrutá-la. Não perder tempo procurando garantias, escutando conselhos ou temendo, mas indo em frente com fé em si mesmo e nas suas capacidades.

Para aqueles buscando iluminação, respostas verdadeiras a suas duvidas (que nem sempre são as que queremos ouvir); um autor realmente ilustrado, com conhecimento sobre as mais variadas correntes de pensamento e literatura – ele cita Nietzsche, Walt Whitman, Spengler, Dostoivski, Schopenhauer – ;uma história interessante de vida, sobre um cara que simplesmente largou tudo atrás de um sonho, se fudeu pra caralho mas chegou lá, recomendo. Para aqueles que só estão procurando uma história com bastante sexo, por favor, cresça.

Written by Dyeison Martins

1 de julho de 2010 at 2:47

Publicado em Literatura

Stephen King e os livros de terror/fantasia

leave a comment »

Eu tive uma fase de detestar os livros do Stephen King, e outra de curtir muito. Hoje talvez me situe num meio termo perigoso, rindo de alguns de seus truques mais simples de literatura para conseguir leitores, mas respeitando e gostando de algumas de suas grandes idéias no quesito terror/fantasia.

Mas antes de falar mais, um rápido parenteses. Por algum motivo que eu desconheço (mas suspeito ser a falta de grana do King quando era mais novo), os filmes baseados em seus livros são ridículos. Alguem ai lembra de “Christine, o carro assassino”? Ou “Cemitério Maldito”? Então entenderam. Ainda não vi “Carrie, a estranha”, mas sempre ouvi falar bem desse. Moral desse parentese: Não julgue Stephen King por seus filmes, e sim pelos seus livros. Mas assistam ” It – Uma obra prima do medo” e “O Iluminado” que são muito bons.

Voltando ao assunto principal. Eu tive a oportunidade de ler alguns livros desse autor. Li alguns quando era mais jovem, como a série de contos “Pesadelos e Paisagens Norturnas” e outro cujo nome não lembro, mas é sobre alienígenas que tomaram um cidade do interior. E mais recentemente, “Insonia” e “A Dança da Morte”. Então farei uma rápida análise sobre esses livros (menos o que eu não lembro o título, e nem tenho certeza se é do King mesmo):

Pesadelos e Paisagens Noturnas: Existem contos muito bons, e outros nem tanto. Lembro de um cara que é atormentado pelo fantasma da esposa morta que quer vingança, outro de um dedo que sai do ralo (isso mesmo, o dedo esta saindo de dentro de um buraco da pia). Posso estar comentendo alguma injustiça, mas lembro especialmente desses. Recomendo.

Insônia: O início é meio arrastado, e ele sofre o conhecido mal dos livros do King, que é “não conseguir escrever algo que tenha menos de 2 mil páginas”.  Mas vale muito a pena. É sobre um idoso que é escolhido por forças superiores para cumprir uma missão específica. Para isso ele primeiro fica sem dormir, depois começa a enchergar a realidade como ela é mesmo, cheia de auras e outros seres, que não humanos. Combina pitadas de terror com fantasia.

A Dança da Morte: Poderia (e ainda vou) escrever um texto especificamente para A Dança da Morte. Por quê? Porque é uma das melhores coisas que eu li até hoje. Considerado por muitos o seu melhor livro, é baseado em um conflito apocaliptico entre as forças do bem e do mal.Vou tentar de novo, agora com mais calma. Também tendo milhares de páginas, ele é divido em três partes. Capitão Viajante, Na Fronteira e O Confronto. Capitão Viajante narra como uma espécie de supergripe (a chamada capitão viajante) se alastrou pelos Estados Unidos, e depois pelo mundo, matando praticamente toda a população humana. Em Na fronteira, os sobreviventes se dividem, uns caminham para o Colorado, seguindo a influência de Mãe Abagail, uma velha negra muito religiosa de mais de cem anos, e outros avão para Las Vegas, onde serão parte do regime de Randall Flagg, um homem negro que comanda os sobreviventes com mão de ferro e uma única pena: crucificação.  Em O Confronto, “os eleitos” partem do Colorado até Las Vegas, onde irão enfrentar os poderes obscuros de Flagg.A história até pode parecer meio estranha, mas quem tiver oportunidade de ler, não vai se arrepender. Um conflito maniqueista, a descoberta do bem e do mal dentro de cada um e noções do livre arbítrio entre os homens, são (pelo menos para mim) temas interessantíssimos. Destaque para a capa original do livro, um homem vestido de branco com uma espada lutando contra um homem de negro com uma foice.

Agora, escolhi falar principalmente do King porque ele é uma espécie de discipulo direto do Mestre Tolkien, e o primeiro dos escritores desses livros rápidos e fantásticos de hoje em dia. Citar J. K. Howlings, ou Stephanie Meyer, ou sei lá, trocentos outros. Foi Stephen King o cara que inventou esse gênero, do best seller de terror e fantasia.

(Sim, eu ignorei propositalmente A Torre Negra. Li apenas “O Pistoleiro”, que não gostei muito. Mesmo assim é uma das maiores sagas da literatura americana, e vou ter que dar um jeito de ler outra hora).

Written by Dyeison Martins

19 de maio de 2010 at 16:57

Publicado em Literatura