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Archive for março 2011

Sem rumo

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Decidi manter um post mensal sobre o Grêmio, o que favorece a variedade de temas, e permite uma análise um pouco mais fria da situação. No caso, escrever sobre o Grêmio em março, me permite olhar para as coisas que acontecerão até então, vendo os erros e acertos do time até então.

E o Grêmio vai mal, diga-se de passagem. Muito mal. Venceu partidas, foi o campeão do primeiro turno do Gauchão, mas ainda não convenceu. Ainda não mostrou a força daquele time que terminou o ano passado jogando o melhor futebol do Brasil.

Claro, há diferenças entre os dois times.  Aquele time possuia um esquema muito bem definido, com uma zaga entrosada, um excelente lateral direito e um cumpridor esquerdo, um meio campo em losango, com Rockembach em grande fase, Adilson pela direita, dando suporte as subidas de Gabriel, Lúcio apoiando e marcando bem, fazendo um bom lado esquerdo com o Fábio Santos, e Douglas em grande fase, armando e concluindo também. Na frente, André Lima marcando gols e Jonas sendo o craque do time.

Bem, Jonas se foi no início do ano, e ainda sentimos a sua falta. Mas não é esse o grande problema do time. E sim, as escolhas erradas de Renato no comando do Tricolor.

Ninguém manda o treinador ficar jogando com seu próprio ego e com os dos jogadores, insistindo num modelo claramente insuficiente. Pois colocar Borges e André Lima juntos é incoerente, pois ambos são da mesma posição, ocupam o mesmo lugar do campo. Geralmente num jogo um vai bem, e o outro vai mal.

Douglas e Carlos Alberto é pior. Alias, Carlos Alberto não vem jogando nada desde que chegou, mas Renato vai morrer abraçado com ele, se preciso for. Porque? Tenho minhas suspeitas de que a questão vai muito além de amizade fora de campo, e sim de se cercar de aliados, no ambiente sujo e corrosivo que é o vestiário de um time de futebol.

Renato passou fevereiro inteiro tentando acomodar as estrelas do time, como se aqui fosse um Real Madrid deturpado, com estrelas e egos gigantes e incontroláveis. Mas porque ele faria algo assim? Ele não tem uma boa relação com a diretoria, pois é visível desde o início que Odone só não demitiu o treinador no final do ano pela vaga conquistada, e para não começar o mandato contra a torcida (o presidente entende de política como poucos). E esse, não se esqueçam, é o mesmo grupo que derrubou o Silas e quase fez o time ser rebaixado. Melhor que ninguém, Renato sabe que precisa lidar com os egos e pressões do grupo, pois se os jogadores ficarem contra ele, ele cai. Na hora.

Tudo bem, é início de ano, e eu posso ser um pouco alarmista em excesso, mas vejo as coisas assim. O Grêmio tem um bom grupo, mas que pensa ser mais do que realmente é.

Mesmo com todos os problemas, o Grêmio foi campeão do primeiro turnodo Gauchão, e está em segundo no seu grupo da Libertadores, atrás apenas do surpreendente Junior, de Barranquilla, que até agora te 100% de aproveitamento, e arrisca ser a melhor campanha da primeira fase. É uma merda não classificar como primeiro, mas não é o fim do mundo. Essa história de decidir em casa é bobagem, eu, particularmente, prefiro até jogar a primeira em casa e a segunda fora.

“Vamo que vamo” então. É o que nos resta.

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Written by Dyeison Martins

15 de março de 2011 at 17:07

Publicado em Grêmio

Antigamente, na F1

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Assisti (novamente) o clássico filme Grand Prix, de 1968. Conhecido por ser uma das melhores adaptações do universo da Formula 1 para as telonas feito até hoje, o filme é amado pelos fãs do automobilismo. Com quatro personagens principais, pilotos que estão disputando o campeonato, e as pessoas que os cercam. O americano Pete Iron, o francês Jean Pierre Sarti, o italiano Nino Bambini e o inglês Scott Stodard. Cada um deles tem suas motivações para vencer o campeonato, coisas muito maiores que simplesmente “ser o mais rápido”.

Iron é um piloto decadente. Depois de sair da Ferrari, onde o Signore Manetta desejava que ele fosse segundo piloto para Sarti. Sem vencer corridas há tempos, e passando de equipe a equipe com pouca perspectiva de conseguir qualquer coisa. Começa o filme na BRM, mas por ser culpado pelo chefe da equipe de ser o causador do acidente de Stodard, é demitido. Irá encontrar na equipe do senhor Yamamura (interpretado por ninguém menos que Toshiro Mifune) sua redenção. Essa equipe lembra claramente a Honda em seu início na Formula 1, há muito tempo atrás.

Sarti é um conhecido bicampeão, já experiente e calejado com os horrores do automobilismo. Manetta (uma caricatura bem interessando do Comendadore Enzo Ferrari, mas sem os óculos escuros) o considera um dos melhores de todos os tempo, mas teme que seu campeão já esteja acabado. Lidando com a desconfiança da Ferrari e um próprio cansaço com as corridas, ele deseja o título para provar a si mesmo que ainda é capaz.

Bambini é o menor de todos os personagens. É um jovem piloto, que foi campeão nas motocicletas e agora pilota para a Ferrari, como segundo piloto de Sarti. Sua história é para demonstrar o glamour que os pilotos viviam.

Stodard vive a sombra de seu falecido irmão mais, Tomas, que foi bicampeão de Formula 1. Compete principalmente para buscar superá-lo, ou honrar sua memória. Tem no início do filme um acidente gravíssimo, mas em pouco tempo se recupera, e pilota ainda muito machucado, tendo que tmar remédios fortes para a dor. É, principalmente, o retrado das provações dos pilotos.

A fotografia do filme é excelente, a história é muito bem feita, mas o que chama mesmo a atenção no filme é a maneira como os pilotos e aqueles que os cercam são retratados. Todos são visivelmente cínicos, falando sempre que a única coisa que importa é a vitória, e nada mais. Mesmo nas partes em que se fala de morte, sentimos que eles ficam machucados, mas se esforçam em não demonstrá-lo. O único momento realmente chocante é quando Sarti se acidenta e mata duas crianças que estavam olhando a corrida. O bicampeão tenta se controlar, mas acaba chorando junto com sua namorada.

O filme é muito longo, tem quase três horas, contando até mesmo com o antigo costume do intervalo. Mesmo assim, vale a pena. Vemos as pistas como eram antes, como Spa-Francorchamp, Silverstone, Monza (ainda com a curva inclinada), Mônaco (que é a mesma coisa) e Zaandvord. A única que eu senti falta foi o Inferno Verde, Nurbugring, a pista mais desafiadora do mundo. Eles só falam a respeito no filme, mas não vemos a corrida.

Para os amantes do automobilismo, ou mesmo para os fãs de uma grande história humana, sem heróis ou vilões, apenas homens tentando serem o melhor de todos.

Written by Dyeison Martins

5 de março de 2011 at 15:05

Publicado em Automobilismo, Filmes