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Archive for fevereiro 2011

O fim do Fenômeno

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É interessante como a parada do Ronaldo me afetou mais do que eu julgaria possível. Afinal de contas, nunca fui um entusiasta da Seleção Brasileira, ou mesmo um fã do “Fenômeno”. Sempre reconheci suas capacidades, e com o tempo, passei a vê-lo como o que realmente foi, o melhor (junto com Zinedine Zidane) de sua geração.

Dono de arrancadas impressionantes, finalizações precisas (de dentro e fora da área), dribles desconcertantes, que com o tempo foram se somando uma visão de jogo privilegiada, um entendimento superior da partida, uma qualidade de passes e lançamentos dignos de um maestro. Se único defeito, se pudemos chamar assim, foi nunca ter sido um bom cabeceador. Não que não fizesse gols de cabeça, mas nunca o teve como um atributo de destaque.

Ronaldo foi o primeiro jogador “tipo exportação” que tivemos. Começou cedo, brilhou muito no Cruzeiro e, com dezessete anos, foi para a Copa dos Estados Unidos. Lá, ficou no banco o tempo inteiro. Dos EUA, foi direto para Eidenhoven, para jogar pelo PSV. Depois, o Barcelona foi sua casa, como havia sido de Romário antes dele. Brilhou, foi eleito duas vezes o melhor do mundo, ganhou o apelido de “Fenômeno”, pelo qual é conhecido até hoje. Saiu no auge para jogar pela Internazionale, de Milão, onde começou sua decadência. Se machucou muito, jogou pouco. Rompeu o tendão patelar (o qual conhecemos apenas por causa da lesão de Ronaldo), e todos julgamos que nunca mais poderia jogar. Nesse meio tempo, foi quase estrela do Copa da França, mas com a inesquecível convulção, naufragou, junto com todo o time.

Sou ateu, portanto julgo inapropriadas (para não dizer ridículas) coisas como “por fé em Deus ele se recuperou”, ou “graças a vontade do Senhor ele voltou a jogar”. Se Ronaldo deve agradescer alguem, que sejam seus médicos, e sua própria força de vontade, onde deu a volta por cima. Se recuperou a tempo de ser estrela da Copa do Japão, junto com Rivaldo.

Do Japão, foi para Madrid, jogar pelo Real. Desde então jogou pouco, sempre lesionado, sempre se recuperando. Conhecido frequentador da noite, ou com os compromissos com os patrocinadores, nunca foi muito querido pela torcida madrilenha. Os anos começaram a cobrar sua conta. Ronaldo, que quando começou era magro demais, desengonçado, ficou forte, imparável como a “manada solitária” que lhe apelidaram os catalãos, e depois, gordo. O “gordo Ronaldo” chegou a Copa de 2006 em baixa, mas titular inconstestável. Marcou alguns belos gols, se tornou o artilheiro maior das Copas, mas foi eliminado, novamente pela França de seu grande amigo Zidane.

Saiu de Madrid para voltar a Milão, dessa vez no arqui-inimigo da Inter, o Milan. Antes de ter uma sequência de jogos, lesionou o tendão patelar do outro joelho. “Era o fim”, todos asseguraram. Voltou para o Brasil, se envolveu num caso com três travestis, virou anedota.

Foi contratado pelo Corinthians, num contrato milhonário. Seu canto do cisne foi o Paulistão e a Copa do Brasil de 2009. Lá, mesmo acima do peso e jogando poucos jogos, foi decisivo como sempre, marcando um gol antológico na final contra o Santos. Depois, mais lesões, cirurgias, briga com a balança.

Com a eliminação histórica do Timão para o Deportes Tolima, da Colômbia, Ronaldo resolveu parar. Segundo ele, porque perdera a luta contra seu corpo. “Você pega a bola, e pensa que vai driblar o atacante, porque a vida toda fez isso, mas na realidade, você não consegue mais”.

Não digo que foi uma tristeza, já era algo esperado, para o final do ano. Ronaldo finalmente parou, ainda naquele momento que não passava vergonha. Podem discordar alguns de mim, mas ainda era possível ver, mesmo sem ritmo e gordo, a qualidade técnica superior e o instinto de matador. A frieza diante dos goleiros, na finalização. A visão de jogo e os passes certeiros. Ninguém no futebol brasileiro tinham aquela categoria. Ninguém poderia jogar futebol naquelas condições físicas se não fosse um gênio, a quem o Marca chamou de “maior atacante da história”.

O “Gordo” se foi. Perdeu o jogo para o tempo, e agora vai colher os tão merecidos frutos do sucesso. Sim, agora, pois apesar de ser quase um rock star, só agora vai parar de viver com as críticas. Está gordo? Que se dane, a vida é dele. Ficou até às 7 da madrugada na farra? Que inveja, quisera fosse eu.

O que ele nos deixou? Lances de um jogador que combinou uma técnica anormal, força física e velocidade impressionantes, uma inteligência fora do comum e uma garra para enfrentar obstáculos que poderia servir de exemplo.

Vai lá Ronaldo, curtir a vida, os filhos e o seu dinheiro. Você merece.

Written by Dyeison Martins

15 de fevereiro de 2011 at 12:25

Publicado em Futebol

Janeiro (quase) Trágico

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O gremista, devido ao excelente dezembro, começou o ano de maneira eufórica. O time era o melhor do Brasil no final do Brasileiro e sua espinha dorçal seria mantida, o Grêmio ria disputar a Libertadores da América (bastaria passar pelo desconhecido Liverpool do Uruguai) e o Inter havia sido derrotado no Mundial pelo Mazembe, algo quase inesquecível. A direção planejava contratar Ronaldinho Gaúcho, craque internacional e duas vezes melhor do mundo.

Em trinta dias, os gremistas foram do céu ao inferno. Passaram vivos por tudo, mas somou-se uma dor e frustração impensável antes.

O caso Ronaldinho

O que parecia uma negociação fácil começou a encrespar sem motivos aparentes. Sempre faltava muito pouco para Ronaldinho assinar, a liberação do Milan, uma clausula nova no contrato. Depois o Palmeiras e o Flamengo entraram na briga, mas a princípio não era nada sério.

Ronaldinho nunca foi unanimidade no Olímpico. Sua saída do time, em 2001, foi traumática. Agora, o que deveria ser um retorno lendário para sarar as feridas do passado se tornava um leilão, onde quem pagasse mais levava. A isso, ninguém queria. Chegou-se a preparar o Olímpico para uma recepção que nunca aconteceu.

O Grêmio foi feito de bobo e caiu fora do negócio. Toda a direção havia focado 100% nisso, o que significava que ninguém havia pensado em renovar o contrato de ninguém ou trazer reforços.

O adeus de Jonas

O time começou o ano jogando mal e empatando em casa. Terminada a novela Ronaldinho, de pronto começou uma novela Jonas. O atacante, que terminou o ano valorizado, como melhor atacante do Brasil segundo diversas publicações, artilheiro e mais trocentas outras coisas. Exigia um aumento substancial e status de estrela, não que não o merecesse.

Esse vácuo que surgiu com a contratação de Ronaldinho fez com que pipocassem trocentas propostas por Jonas, de todos os cantos. Estressado, o atacante foi vaiado por jogar mal contra o São José, marcou um gol e revidou, xingando a torcida. No final, optou por ir ao Valência da Espanha.

Não guardo máguas de Jonas. Ele optou por sair, por uma proposta milionária de um grande time europeu. É o sonho do cara. Que faça sucesso.

A estrada para a América

Chegado o dia, o jogo contra o Liverpool foi mais ou menos como se pensava. Lá, num Estádio Centenário vazio, o Grêmio jogou melhor, esteve duas vezes na frente no placar mas cedeu o empate. Foram visíveis as falhas do time. André Lima estava solitário na frente, pois Junior Viçosa não é jogador para o Grêmio. O meio de campo depende muito de Douglas, que quando desaparece, leva todo o setor consigo. E, na zaga, Gilson é pavoroso e Clementino é fraco. Vinicius Pacheco chegou, mas ainda não convenceu.

O mês terminou com o Grêmio com vantagem na Pré-Libertadores, mas sem reforços e ainda muito a quem do esperado. Precisa de reforços, urgentes.

Eu sei que o Grêmio já se classificou, e contratou Escudero e Carlos Alberto. Mas esse post fala só sobre Janeiro (estou postando ele atrasado). Mês que vêm tem mais.

 

Written by Dyeison Martins

7 de fevereiro de 2011 at 12:21

Publicado em Grêmio