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Archive for julho 2010

Dez anos atrás, uma vitória para não esquecermos

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Eu não gosto de repetir assuntos, principalmente tão perto. Domingo passado foi o GP da Alemanha, ganho pelo Alonso, e agora nesse final de semana será o GP da Hungria. Só isso já seria uma sequência mais próxima do que eu gosto. Mas a data de hoje é importante demais para eu simplesmente fazer de conta que não lembro. Lembro até hoje eu apenas um menino vibrando enlouquecido na frente da TV, diante de uma das apresentações mais lendárias que eu vi. Graças ao tão polêmico Rubens Barrichello.

Vocês não podem se lembrar, eu era pequeno mas me lembro muito bem. O Senna morreu daquela maneira trágica. Ao vivo, diante de toda a nação que o idolatrava como um herói, um exemplo de vencedor (não vou comentar sobre isso de novo). Entre todos os meninos brasileiros que estavam começando na F1, havia apenas um que era considerado a verdadeira esperança de futuro. Campeão por onde havia passado, sendo considerado imbatível nos karts, Rubinho era a grande esperança de mais um campeão brasileiro.

Com a morte do ídolo maior, nossas esperanãs se voltaram para ele. Num dos muitos erros que cometeu desde então, aceitou que colocassem nos seus ombros o peso de Sucessor do Senna. Haviamos tido Fittipaudi, depois Piquet, e depois Senna, três campeões, considerados uns dos melhores de seus respectivos tempos. E um em seguida do outro. Agora, Rubinho seria o quarto.

Correndo pela fraca Jordan, é claro que não conseguiu se dar muito bem. As vezes beliscava um pódio, no máximo. Depois, na Stewart, foi mais ou menos também, muito mais por culpa do carro do que dele mesmo. Mas sempre insistia que sua chance chegaria, que seria campeão.

Ai, outro erro pontual. Negociou com a McLaren, mas acabou indo para a Ferrari, numa proposta milionária, mas com um cargo de segundo piloto do então bicampeão Michael Schumacher. Se ele queria mesmo ser campeão, seria muito melhor a equipe de Woking, que sempre liberou o duelo entre seus pilotos. Não a Scuderia, que sempre foi hierarquicamente clara nisso.

Mas, isso são opções que a pessoa pode fazer. Inaceitável (como hoje eu vejo, pelo menos, na época devia pensar diferente, mas tinha apenas onze anos) é dizer que vai brigar pelo título, que confia em si mesmo, se sabe que não será assim na vida real.

Tudo provavelmente teria sido muito diferente se Senna estivesse vivo, é uma sensação muito clara que eu tenho. Mas previsão de um possível futuro nunca foi meu forte.

Mas agora falando da corrida, o já lendário Grande Prêmio da Alemanha de 2000, que aconteceu num 30 de julho, em Hockemheim. Não lembro o que aconteceu exatamente, se não me engano Rubinho bateu no treino e teve o carro destruido. Teve que entrar na pista com o carro reserva e completamente desregulado. Conseguiu apenas a décima oitava colocação, enquanto seu companheiro Schumacher marcou o segundo tempo. A pole ficou com o escocês David Coulthard, da McLaren.

Dada a largada, Schumacher e Giancarlo Fisichella bateram. Rubinho largou muito bem (o que é raro com ele), passando vários. Por estar mais leve que os outros carros, conseguia passar os outros carros mais fracos do grid. Na quinta volta já era o terceiro. Depois, ia abrindo, foi para seu pit-stop e voltou na quinta colocação. Coulthard liderava a corrida.

Ai, do nada, um bêbado invadiu a pista. Safety Car na pista, e a vantagem de Coulthard já era. Relargada, Jean Alesi (enquanto Rubinho foi o Sucessor de Senna, Jean Alesi era para ser o Sucessor de Alain Prost) e Pedro Paulo Diniz batem. Nova entrada do SC. E começa a chuva.

Todo mundo entra nos boxes para trocar os pneus de seco para os de chuva. Menos Coulthard, Rubinho e mais uns dois ou três. Pouco depois o escocês entrou também. A Ferrari gritava pelo rádio, ordenando que Rubinho entrasse, que ele era louco de ficar sob chuva com os pneus secos. Mas ele não deu ouvidos, e tinha bons motivos para isso.

Hockemheim antiga, do qual o circuíto atual pode ser chamado apenas de paródia de mau gosto, era composto por retas que iam fundo na Floresta Negra. Apenas a zona do Estádio era ao ar livre, as retas ficavam debaixo de árvores muito densas. Logo, lá no meio (que é boa parte da pista), ainda estava muito seco. Rubinho dirigia com cuidado na parte molhada, mostrando sua inigualável capacidade em dirigir nesse piso (que eu considero superior inclusive a de Ayrton Senna), e na parte seca sentava a bota.

Começou a partir dai uma perseguição dramática, todos nós apavorados em frente a TV. O atual campeão, o finlandês Mika Hakkinen da McLaren conseguia descontar dois segundos por volta de Rubinho. Depois um segundo. Mas Rubinho permanecia firme. Começou a ficar claro para todos. Hakkinen ganhava velocidade no trecho descoberto, mas pouco a pouco estava ficando com os pneus destroçados por correr no seco.

Mesm0 assim parecia que ele iria conseguir acabar com a vantagem. Mas as voltas ia passando, e a diferença que o finlandês precisava tirar não diminuia. Agora, só caiam décimos.  Nas últimas voltas, Rubinho voltou a ser o mais rápido. Todos olhavamos para a TV, esperando que sei lá, o proverbial azar de Rubinho fosse dar o ar da graça.

Mas não, ele cruzou em primeiro. Venceu sua primeira corrida. Nos boxes da Ferrari, todos vibravam, mesmo o sempre frio Schumacher – que era um cara sempre calmo, exceto quando resolvia acusar os outros de tentar matá-lo (justo quem se fazia de vítima) – vibrava, comemorando a vitória de seu companheiro. Galvão estasiado, lembrando-nos que desde o GP da Austrália de 93 (última vitória de Senna), um brasileiro não vencia.

O choro incontido de Rubinho, Hakkinen e Coulthard erguendo o brasileiro. O hino brasileiro, que nós nem lembravamos como era, tocava de novo para o mundo. Muita festa e comemoração, inclusive a minha, que nem torcia para o Barrica.

Não importa quem gostava ou não do Rubinho, ou de Formula 1. Ou o que aconteceu nos anos depois, quando ele virou o capacho do alemão. Essa vitória foi linda de ver. Inesquecível.

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Written by Dyeison Martins

30 de julho de 2010 at 17:54

Publicado em Automobilismo

Cinema Paradiso, e a paixão pelo cinema

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A melhor maneira de começar falando sobre Cinema Paradiso é falar que ele é dedicado ao cinema. É a história de um menino que passou a vida no cinema para fugir dos problemas que tinha que enfrentar no seu dia a dia. Que lá encontrou um amigo e um substituto para seu pai, que o ensinou a lidar com a vida. E que lá descobriu quem realmente era.

Começa com uma velha senhora procurando falar com seu ocupado filho Salvatore di Vita, que mora em Roma. Quando este chega em casa, não da muita importancia para o telefonema de sua mãe, que como todas as mães reclama da distância do filho. Só que então ele recebe a notícia da morte de um tal Alfredo. Isso o faz ficar chocado. E deitado na cama, ele retorna a sua infância, na Sicilia durante a Segunda Guerra Mundial.

Com o pai desaparecido durante a guerra, Salvatore (Totó, como é chamado pelas pessoas) tem uma vida comum na cidade de Giancarlo. Passa algumas necessidades, devido a pobreza da região. Mas o que realmente gosta de fazer é assistir aos filmes no cinema, o Cinema Paradiso, o velho e único da cidade. Por ser coroinha fica assistindo ao padre da cidade censurar as cenas mais quentes dos filmes (geralmente apenas cenas de beijos, tão comuns hoje em dia).

Como naqueles tempos não haviam muitos brinquedos, ele pega os recortes dos rolos dos filmes que ficam caidos no chão, e os leva para casa para assistir depois e brincar com eles. Depois de muita briga, ele consegue convencer ao velho projecionista da cidade, Alfredo, a lhe ensinar o oficio. De início o homem era um pouco ranzinza e achava que o menino era um metido e irritante, mas depois se afeiçoa a ele, e faz as vezes de pai. Como a mãe de Totó era contra o menino passar tanto tempo no cinema, ele tenta barrá-lo, mas é inútil.

Um terrível acidente acontece, naqueles tempos em que as fitas eram muito inflamáveis, e o cinema pega fogo, cegando o velho Alfredo. Com a ajuda do milionário da cidade, o cinema é reconstruido mais moderno, e Totó, mesmo sendo apenas uma criança, vira o projecionista oficial.

O tempo passa, e o menino cresce. Já adolescente, ele vai contar com a ajuda do sábio Alfredo (sempre com uma citação oportuna de um filme antigo como frase de sabedoria), tudo o que aprendeu com todos os filmes e um pouco de inocência para lhe ajudar a enfrentar os problemas da idade, como o primeiro amor.

E chega por aqui, não vou contar todo o filme, se não perde a graça. Mas basta dizer que quando Totó volta a Giancarlo, no final do filme para o velório, acontecem algumas das cenas mais emblemáticas que eu lembro. A parte final, dele assistindo sozinho as cenas de beijos é talvez a mais bela cena que eu conheço sobre o amor pela Sétima Arte.

Agora, sobre o filme, ele possui atuações excepcionais, principalmente de Phillppe Noiret (o Alfredo), e dos três atores que fazem Totó. A trilha sonora é de Ennio Morricone (que junto com Nino Rota é um dos melhores compositores para o cinema que eu já vi), e é belíssima, romântica e diferente das conhecidas trilha de western dele.

Várias cenas de filmes conhecidos aparecem, e também aparecem posteres de filmes clássicos, como Casablanca no cinema, ou quando o menino descobre a morte de seu pai, ele vê um poster de E o Vento Levou que o faz sorrir. Cenas de filmes como Ben Hur, ou E Deus criou a mulher aparecem, entre alguns outros do cinema italiano. Ah, e muito John Wayne também, em seus clássicos westerns.

É muito bonito quando alguem resolve fazer uma obra sobre a importância da arte na vida das pessoas. E quando o faz bem feito, é melhor ainda. Giuseppe Tornatore, diretor do filme, queria fazê-lo como uma espécie de obituário para os velhos filmes e casas de cinema, que estavam (estão) morrendo. Ele conseguiu mais do que isso, conseguiu captar, um vislumbre que seja, da importância que o cinema tem nas nossas vida, do porque nos deixa felizes, nos faz chorar e nos faz pensar na vida  e nos nossos problemas. Ou faz exatamente o contrário, as vezes.

Eu sei que é ser repetitivo, mas as vezes é bom faze-lo, se o objetivo é passar bem uma mensagem. Cinema Paradiso é sobre o amor pelo cinema, é um tributo a essa arte. Talvez quanto mais o espectador amar o cinema, mais ele goste e se emocione com o filme, com a história de um menino que tinha apenas um amigo e o cinema para esquecer os problemas de sua vida.

Written by Dyeison Martins

28 de julho de 2010 at 16:43

Publicado em Filmes

Austria 02 e Alemanha 10, no fim da no mesmo

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Mais uma etapa do Campeonato Mundial. uma prova um pouco mais chata do que eu suspeitava, mas Hockenhaim infelizmente não é o mesmo desde as reformas. Onde antes os carros cruzavam a Floresta Negra da Alemanha em grandes retas e curvas desafiadoras, hoje é um circuito menor e sem graça. A prova também foi. Mas teve polêmicas, jogo de equipe da Ferrari, e o anúncio oficial de que Felipe Massa é sim o escudeiro de Fernando Alonso, assim como Rubens Barrichello o foi de Michael Schumacher. Mas depois eu falarei melhor disso, agora vamos falar da corrida.

O treino foi muito bom. Alonso liderou durante a maior parte do tempo, sempre enfrentando uma disputa apertada de Sebastian Vettel. No final, o alemão da RBR conseguiu a pole por míseros 2 milésimos, quando todos pensavam que o asturiano ia largar da posição de honra. Massa foi o terceiro, quase meio segundo atrás de seu companheiro, e Mark Webber um pouco mais atrás. A corrida parecia que ia ser definida num duelo da renascida Ferrari contra a sempre forte RBR. Só parecia mesmo.

Na largada, as Ferraris saltaram melhor. Vettel, que novamente largou mal, se desesperou ao ver Alonso o passando e o espremeu no muro. O caminho ficou livre para Massa assumir a ponta. A despeito dos esforços do jovem alemão, Alonso se manteve na segunda colocação, com Vettel caindo para terceiro. Jenson Button perdeu sua posição para Lewis Hamilton, que logo depois passou Webber.

Massa ditava o ritmo da corrida, com Alonso sempre aos seus calcanhares. Com as paradas nos boxes, as posições da frente foram mantidas, só Button adiou sua parada e sempre andou rapido, e conseguiu ganhar a posição de Webber nos boxes. As Ferraris disputavam as voltas mais rápidas. Ora Alonso, ora Massa faziam o melhor giro. Mas o espanhol sempre perto do brasileiro, como uma figura ameaçadora.

A Ferrari do brasileiro começou a apresentar problemas com os pneus duros, e Alonso se aproximou perigosamente, e tentou a ultrapassagem. Foi fechado de maneira arriscada por Massa, e gritou no rádio com a equipe “É ridículo”, uma atitude que despertou a raiva de quem narrava a corrida. Muitos consideraram uma atitude antidesportiva do espanhol, achavam que Massa tinha seu direito de defender sua posição. Parece que Domenicalli, chefe da Ferrari, discordava.

Curiosamente, Alonso perdeu o rendimento, deixando Massa abrir mais de três segundos de vantagem. Depois de algumas voltas de espera, começou a caça ao brasileiro. Felipe tentou manter a vantagem, mas algumas voltas depois já estava novamente com o espanhol nos seus calcanhares. Vettel estava um pouco atrás, mas começava a dar sinais de que ia se aproximar. E ai veio a fatídica ordem.

“Fernando… é… mais… rápido… que… você. Confirma que recebeu a mensagem?” foi o que o engenheiro de Massa disse para ele, e para o mundo. A ordem foi bem clara, e estava dada. No mesmo giro, Massa praticamente parou o carro no grampo, e Alonso com facilidade o passou. Depois, já estava tudo definido. Alonso começou a voar na pista, fazendo a volta mais rápida. Vettel vinha rápido também, só Massa parecia anestesiado, sem capacidade, ou desejo, de resistir a um provável ataque do alemão.

Mas terminou assim mesmo. Alonso, Massa e Vettel no pódio. Hamilton, Button, Webber, Robert Kubica, Nico Rosberg, Schumacher e Vitaly Petrov fecharam a zona de pontuação. Vettel fez a volta mais rápida no último giro.

Na saída, rumo ao pódio, Alonso buscou dar um abraço de parabens no Massa, mas esse foi frio. As comemorações foram constrangidas. O espanhol pelo rádio, chegou a perguntar se o brasileiro havia tido problemas com o câmbio ou coisa assim, por ter perdido redimento subitamente. Teatro? Eu não sei responder.

Considerações Finais

A Ferrari voltou, e com força. Alonso retorna a briga, ganhou de novo e teve uma excelente apresentação, apesar do que aconteceu. Massa também fez uma boa apresentação, não chegou a andar no nível do seu companheiro, e creio que teria sido ultrapassado cedo ou tarde, mas a equipe preferiu não correr riscos. Agora, a Ferrari ressurgiu mesmo, ou foi só nessa corrida? Espero que não, quero ver os carros vermelhos lutando por poles e vitórias de novo.

A RBR ainda é forte. Vettel também andou bem, mas mostrou os problemas de sempre. Se não anda na frente, não consegue precionar os outros e tem uma queda de rendimento. Webber é que preocupa, é a segunda corrida que não anda próximo de seu companheiro e fica relegado a uma posição intermediária. Depois de alguns bons resultados, não consegue manter o alto nível apresentado em outros momentos do campeonato.

A McLaren parece ter ficado para trás. Tanto Button quanto Hamilton não fizeram nada de estraordinário, e aquele pódio de Hamilton em Silverstone parece ser ocasional. Ou a equipe de Woking reage, ou verá sua liderança ruir pouco a pouco. A vantagem ainda é boa, mas ainda será daqui a duas corridas?

A polêmica

Todos nós sabemos como funciona a Ferrari. Ela sempre deu prioridades para um de seus pilotos em relação ao outro. Foi assim com Jody Schekter com Gilles Villeneuve, foi assim com Gerhard Berger com Michelle Alboreto, com Alain Prost com Nigel Mansell e depois Jean Alesi. E mais recentemente, com Michael Schumacher com Eddie Irvine, Rubens Barrichello e Felipe Massa.

Depois do fim da “Era Schumacher”, a equipe parecia ter terminado com essa prática. Kimi Raikkonen e Massa pareciam ter igualdade nas atenções, tanto que um foi campeão em 07 e o outro disputou o título de 08 até o final, sempre com o companheiro os ajudando apenas quando o outro não teria mais condições de ser campeão.

Mas isso mudou com a chegada de Fernando Alonso a Maranello. Muito foi dito na pré-temporada que uma das coisas que atravancaram a negociação foi o fato de que Don Fernando exigiu por contrato vantagens. Queria o mesmo tratamento que Schumacher tinha. Isso foi negado, e depois esquecido.

Mesmo com a aparente igualdade de condições, Alonso andou em poucos momentos atrás de Massa. Sempre foi regularmente mais rápido, tanto nas classificações como nas corridas. Parecia ter se adaptado melhor ao carro, e constantemente colocava tempo em seu companheiro.Massa, por outro lado, ia de corridas completamente inoperante e apagadas até desempenhos desastrosos, e recebeu críticas por todos os lados.

Parecia que inicialmente Felipe brigaria pelo título. Depois, para ser o primeiro piloto da Ferrari. Depois, nem se sabia se teria seu contrato renovado. A renovação veio, e se comentou muito sobre uma possível “Clausula Barichello”, onde teria que se sujeitar as ordens da Scuderia, e de Alonso. Isso foi negado veementemente por todos os lados.

Mas aconteceu o que todos temiam (mesmo os que não admitiam), e alguns como eu apenas esperavam. Era questão de tempo até uma situação da corrida colocar Massa na frente de Alonso. E o espanhol, reconhecidamente um piloto mais rápido e capaz, ter que passar para melhorar sua pontuação. E, quando isso aconteceu, não houve o menor pestenejar. “Fernando é mais rápido que você, entendeu?”, que é o mesmo que “Não atrapalhe Felipe, Fernando é o nosso piloto numero 1, deixe ele passar que é ele quem briga pelo campeonato”.

Um fato que me chamou a atenção foi que primeiro Alonso tentou passar na corrida. Ia fazer a ultrapassagem quando foi fechado por Massa. Isso é normal, anormal foi a reclamação do espanhol (que é conhecido por chiar sempre). “Isso é ridículo” ele disse. O que é ridículo. Será que era ridículo o fato de Massa resistir, se já estava previamente acertado que era para Alonso passar? Foi apenas um espetáculo de Massa, que não queria perder a posição lealmente na corrida?

Depois, com a ordem, Massa freiou e Alonso passou. Será que era necessário fazer essa cena? O brasileiro queria deixar claro para o mundo que teve que parar. Mas porquê? Não teria sido melhor para sua carreira dizer algo como “é, ele me passou, o que eu posso fazer, é da corrida”? O que Massa tinha a ganhar com isso? Ele apenas mostrou para o mundo que obedece as ordens que lhe são dadas pela diretoria da Ferrari.

Não estou dizendo que aprovo a atitude. Mas é a Scuderia, é o Time. Ele decide o que é melhor. Se o melhor para eles é que Alonso ganhe, então que Alonso ganhe. O Massa não gostou? Vá procurar outra equipe para correr.

Claro que Alonso forçou a situação. Deixou Massa abrir e depois foi atrás, dizendo para a equipe algo como “eu sou melhor que ele, sou mais rápido”. Massa tentou fazer uma frente e resistir, mas não pode com a velocidade superior de seu companheiro (assim como no resto do ano).

Num mundo ideal não é assim que são as coisas. Massa venceria, ou seria ultrapassado depois por Alonso, na pista. Mas não estamos num mundo ideal. A Formula 1 é um lugar sujo, onde quem é mais esperto, rápido e cruel geralmente vence. Fernando Alonso já deu mais de uma vez provas de que é talentoso, forte e está disposto a vencer, sem se importar com equipes e outras pessoas. Mesmo sem trapassear como Schumacher fazia, ele parece não se importar em jogar sujo para vencer. É um piloto leal na pista, mas fora dele as coisas são diferentes, assim como fazia Alain Prost. “Os fins justificam os meios”, eles parecem nos dizer.

Já Felipe Massa, que sempre disse aos quatro ventos que nunca faria como fez Barrichello em 2002, que preferiria perder o emprego a abdicar de lutar por uma vitória, que não tinha o temperamento de segundo piloto, exatamente o que ele é. Disse depois que não era o segundo piloto, que são coisas da corrida. Ele poderia ser ao menos sincero com as pessoas, e até consigo mesmo. Porque quem abre para o companheiro na metade do campeonato é um segundo piloto. E seguirá sendo um segundo piloto, pois se abriu uma vez abrirá de novo.

Os brasileiros não gostam, mas é essa a verdade. Isso não aconteceria com Senna ou Piquet, porque eles se garantiam, era na pista os melhores. Massa e Barrichello, e Nelsinho Piquet não o eram, simples assim. Quando surgir mais um gênio brasileiro (coisa que parece a cada dia que passa mais longinqua), pode ser que as coisas mudem. Mas hoje não.

Hoje o Brasil é uma fábrica de bons pilotos, mas que não são do nível dos grande no mundial. São úteis para ajudar uma equipe e seus companheiros, mas não tem a fibra necessária para serem campeões.

Written by Dyeison Martins

26 de julho de 2010 at 17:50

Publicado em Automobilismo

A Sombra do Vento

with one comment

Sou sempre pouco comedido com elogios. Se eu gosto mesmo de alguma coisa, geralmente saio falando coisas como “ótimo”, “fantástico” e “genial”. Depois de um tempo acabo me arrependendo. Então, dei um tempo antes de escrever o que eu penso a respeito desse livro do jovem escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón. Mesmo depois de alguns dias, a sensação persiste. Então não pouparei elogios nesse caso. Se daqui uns cinco anos eu for ridicularizado por isso, me desculpem, foi o tolo Dyeison do passado (mais precisamente, um babaca de 21 anos) que escreveu falando tão bem desse livro.

Ok, vamos lá.

Creio que esse seja um dos melhores livros que eu li escritos nos últimos dez anos. Sério mesmo. Não é uma daquelas historinhas bobas, com vampiros ou auto-ajuda ou segredos da Igreja Católica. Ou pior ainda, escrito pelo Paulo Coelho.

Não, estamos falando de um livro. Sem aquelas pretensões de “vou escrever para conquistar um público e ganhar dinheiro”. Ta, eu sei que usar o adjetivo “honesto” é algo meio canastrão, coisa de crítico sem noção. Mas vale aqui.

Falando sobre o livro agora.

Damiel Sempere é um menino que perdeu a mãe muito cedo, então foi criado pelo pai, um livreiro. Aos onze anos, ao acordar entristecido por não recordar o rosto da mãe, é levado para conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos, uma biblioteca secreta, cheia de livros velhos, empoeirados e abandonados. Lá, encontra A Sombra do Vento, escrito por um tal Julian Carax, autor catalão desconhecido. Pega o livro, e se facina com uma história cheia de tramas mirabolantes de mistério e fantasia.

Esse livro iria ser fundamental no seu desenvolvimento como pessoa. Por causa dele, conheceria seu primeiro amor, por causa dele iria ser enredado numa trama que começou muitos anos antes de seu nascimento, cuja sombra ainda pesa sobre muitas pessoas. Principalmente os herdeiros do legado de Carax, ou o pouco que resta, já que alguem queimou todos os livros que ele escrevera, e todos os seus conhecidos (a princípio) sumiram. E por causa dele, vai ter que se apaixonar, lutar pelo seu amor e se tornar homem antes do tempo.

Se a história de Daniel é interessante, sobre o crescimento e amadurecimento de um homem, a segunda trama, que aos poucos vai sendo desvendada, sobre quem foi Carax, os Aldaya e Miquel Moliner e a história de amor proibido que tiveram, e seus reflexos neles hoje. Tudo isso no atribulado passado da Espanha, no início da ditadura de Franco e suas terríveis consequências na Espanha.

Também aparecem personagens celebres como Fermin, antigo espião do governo e hoje mendigo, de rara perspicácia e frase de efeito e sabedoria como “cortejar mulheres é como o tango, não faz sentido, é cheio de frescuras e quem tem que tomar a inicitiva é o homem”. Ou Don Gustavo Barceló, sábio literato e com sua parcela de máximas, como “desconfie daqueles que confiam em todo mundo”.

O próprio Daniel acaba conquistanto o leitor, com seu jeito inocente e tímido, característico de alguém que não cresceu rodeado de pessoas e amigos, e sim de livros e sua imaginação. É graças ao seu pai, a Fermín, a Clara e a Bea que ele vai amadurecer e ser capaz de enfrentar com coragem a trama na qual caiu por acidente.

As vezes poético, com toques de tramas de investigação e mistério e um pouco romântico (e cínico), A Sombra do Vento é um achado. É um livro de verdade, como poucos que são escritos hoje em dia.

Written by Dyeison Martins

23 de julho de 2010 at 18:57

Publicado em Literatura

Neverwhere, de Neil Gaiman

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Bem, que o Neil Gaiman é o cara, todo mundo sabe. Para os que não estão por dentro, só recomendo que vão dar uma olhada em coisas como a série de quadrinhos premiadíssima Sandman, ou o livro de fantasia Deuses Americanos, ou o livro infantil (mas nem por isso menos assustador) Coraline, que eu creio ter virado um desenho depois, que eu infelizmente não vi. Enfim, o ainda jovem escritor inglês é foda.

Dada essa rápida introdução, vamos falar do meu achado recente. Chama-se Neverwhere, uma mini-série da década de noventa ambientado em Londres, escrita por Gaiman. Quer dizer, mais ou menos em Londres. Na realidade, se passa tanto entre a Londres que conhecemos (a Londres de Cima) e uma escondida dos nossos olhos, tanto nos subterrâneos quanto nos telhados, habitada por pessoas que nós ignoramos, a Londres de Baixo.

Como um grande escritor de fantasia (entre outras coisas), Gaiman sabe manter sobre controle aquela linha tênue e invisível que mantém o fantástico “acreditável”. Claro que existe magia, monstros e seres imaginários, mas tudo ainda fica plausável, não existe aquele exageiro que as vezez encontramos no gênero. Na realidade talvez seja essa a maior qualidade do ator, ele escreve o fantástico de uma maneira tão real que nos pegamos aceitando aquilo como verdade. Os Perpétuos estão aqui justamente para provar isso.

Somos apresentados então ao herói, na realidade não um herói, e sim um “herói”, daquela clássica estirpe inglêsa de caras completamente comuns, com boas intenções e a incapacidade de acreditar/entender tudo que acontece ao seu redor – talvez o maior de todos dessa estirpe seja Arthut Dent, herói da saga do Mochileiro das Galaxias, de Douglas Adams. Richard Mayhew é esse herói. Ele topa com uma menina ferida na rua, e não consegue evitar de tirá-la de lá e levá-la para sua casa, como todo bom herói.

A menina era Door, de uma linhagem importante na Londres de Baixo. Sem saber, Richard foi enredado numa teia onde perderá tudo que tem, será caçado pelos senhores Vandemar e Croup, terá a ajuda de amigos como Hunter, o Marquês de Carabas e Anastásia, e procurará o anjo Islington. Graças a isso ele terá que parar de reclamar, juntar toda a coragem que tem -que é muito maior do que todos, principalmente ele mesmo, achavam possível – e passar por inúmeras provações.

Claro que ele também contará com uma pequena ajuda do destino. Como Serpentina fala para Door: “Esse ai é o seu herói. Com o tempo fica mais fácil de indentificá-los, é algo que só eles tem nos olhos”. Mas que herói não conta com uma ajudinha de designos incompressíveis?

É uma mini-série curta, tem apenas seis episódios de pouco menos de meia hora. E diálogos e personagens memoráveis, que valem a pena. O único entretanto é a qualidade de algumas imagens, e a baixa qualidade de efeitos. Mas fora isso, nada contra e tudo a favor. Mais uma grande obra de Neil Gaiman.

Written by Dyeison Martins

21 de julho de 2010 at 16:21

Publicado em Seriados

Frustração e decepção

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Me desculpem os mais desanimados, mas eu levava muita fé no Grêmio esse ano. Muita mesmo. Parecia que tudo ia finalmente dar certo, depois de tanto tempo. As contratações iriam reforçar um time que não tinha ido bem no ano anterior devido a fraqueza do comando, mas que tinha qualidade. O técnico, no lugar do Autuori, um já veterano e medalhão treinador, seria substituido pela promessa do Avaí, um treinador que com menos recursos, tirou o time de Florianópolis da segunda divisão e quase o fez entrar na zona da Libertadores, e teria todo um gás para novos triunfos, dessa vez numa grande equipe.

Tive paciência, dei tempo para o treinador analizar as peças, estudar as formações que seriam ideais. Vencemos meio nas coxas o primeiro turno do Gauchão. Depois de uma boa sequência, com o time jogando muita bola, caimos para o Pelotas dentro do Olimpico. Fomos para a decisão, e vencemos o Inter no Beira Rio por uma boa margem, e depois perdemos no Olímpico, mas conseguimos levantar essa taça.

Na Copa do Brasil, o Grêmio foi avançando pelos adversário mais fracos, nem sempre convencendo, mas sempre conseguindo passar. A classificação contra o Fluminense foi um dos melhores momentos, com a vitória no Rio de Janeiro. Depois, uma partida épica contra o Santos no Olímpico, fomos desclassificados na Vila. É do futebol, eu sei. Mas o futuro ainda parecia brilhante, o time estava bem, era possível sonhar com algo maior.

Só que ai desandou a maionese. O time se acabou. Tudo que parecia estar indo bem foi por agua a baixo. Os jogadores começaram a jogar mal, o técnico perdeu o comando. A pausa para a Copa do Mundo foi festejada, já que o time teria tempo para se preparar melhor para o resto do Brasileiro.

Um terrível engano. Os amistosos foram um desastre, e a confiança de todos foi por agua a baixo. Mas quem sabe no re-início do campeonato as coisas iriam se acertar. Afinal, ai haveria a determinação de disputar três pontos. A moral seria diferente.

Depois de duas rodadas catastróficas, o Grêmio se encontra na zona do rebaixamento. Todos pedem a cabeça do Silas. A direção, que nunca foi bem vista pelos torcedores, é criticada de maneira ferrenha. Muitos jogadores também se encontram numa má fase, e como é sintomático nesses casos, quem está fora acaba se tornando a solução.

Olha, eu acho que o Grêmio vence o Vasco no Olímpico. Tem que vencer. Estou longe de ser aquele tipo de torcedor que torce para o time perder para cair um técnico. Quando a bola rola e é o manto que está em campo, ele tem que vencer, não importa como.

Mas fica aquela dor, no fundo. Aquela dúvida de que seria melhor o Silas cair, e trazerem um outro treinador, mais com o perfil combativo do Grêmio. Que de repente com essa mudança anímica, o time se acerte, e possa buscar os títulos que ainda pode vencer (o Brasileiro ficou distante, mas ainda não é impossível).

Só que os sonhos, que eu nutria no início do ano, de novamente levantar as taças que enfrentarmos, esses se foram “como lágrimas numa noite chuvosa” (frase inesquecível de Blade Runner). E eu acho que não só para mim, como para toda a torcida tricolor.

PS: O time é bom sim, poderia disputar o título, e rebaixamento nem passa pela minha cabeça, que isso fique bem claro.

Written by Dyeison Martins

19 de julho de 2010 at 17:48

Publicado em Grêmio

Copa do Mundo, acabou

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Para começar com um clichê: “Foi bom enquanto durou”. Acho que não dá para comentar uma Copa do Mundo de outra forma. Parece que depois de quatro anos, tudo o que realmente importa acontece. Não importa se você torce para o Brasil, a Argentina, Uruguai, Itália, Holanda, Dinamarca… Se sua seleção chega como favorita, ou é tão importante como o cocô do cavalo do bandido, quando começa parece que tudo é possível, são só 7 jogos, que se você vencê-los, levanta a Taça da FIFA.

Tenho costume de torcer para as tradicionais. Me frustrei na primeira fase com a queda da Dinamarca (saudade da Dinamáquina), da Sérvia e da Eslovênia. Mas vibrei muito com a vitória da Eslováquia sobre a Itália. E já comecei a admirar esse seleção uruguaia,a melhor que vi até hoje.

Com o passar das fases, vimos coisas esperadas, como o Brasil e a Argentina caindo para os primeiros adversários realmente fortes que enfrentaram. A Alemanha mostrando um futebol extraordinário, ofensivo e muito técnico. A Holanda unindo sua técnica com uma seleção muito mais preocupada com o resultado que o normal. E a Espanha, mostrando seu favoritismo.

Num daqueles momentos antológicos para o futebol, na prorrogação entre Uruguai e Gana, Luiz Suarez tira a bola de dentro do gol com a mão, e expulso e Gana tem um penal, último lance do jogo. Gyan chuta para fora. Nos penais, o Uruguai confirma seu favoritismo. Daquelas partidas que nunca vamos esquecer.

Em dois jogos lendários, a Holanda eliminou com dificuldades o Uruguai, e a Espanha foi muito superior a Alemanha. No duelo em busca do terceiro lugar, Alemanha vence o Uruguai por 3×2, com uma bola na trave de Forlan no último lance do jogo. Diego Forlan, o uruguaio que ganhou a Bola de Ouro de melhor jogador da Copa.

Numa final tensa e complicada, a Espanha venceu por um a zero na prorrogação, num jogo com chances claras de gols para os dois lados.

O que ficou mesmo dessa Copa? Não é camisa que ganha jogo, ou ter muitos jogadores comprometidos. Tudo isso é importante, claro, mas o que realmente faz a diferença, o que ganha os jogos e os títulos, é a qualidade técnica. É ter do seu lado craques, capazes de desequilibrar uma partida.

Written by Dyeison Martins

15 de julho de 2010 at 17:20

Publicado em Futebol