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Archive for março 2010

50 anos da “lenda” Renato Russo

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Estava um pouco apreensivo, e até hesitei um pouco antes de escrever esse texto. Legião Urbana é muito provavelmente a coisa que eu mais escutei até hoje. De longe. Até porque eu já escutava Legião antes de saber que escutava alguma coisa… Entre as mais antigas lembranças que eu tenho, existe uma do meu pai comprando um CD Player (alguem lembra? parecia um vídeo cassete, mas era para tocar CDs, já que os rádios da época não vinham com um) e o CD O descobrimento do Brasil, que tem a capa com eles no meio de um jardim, usando umas roupas estranhas.

Então é complicado fazer uma análise mais técnica e menos emocional da banda e do seu líder. Diferente de diversas pessoas, eu não acho que eles tocassem mal seus instrumentos, só não eram realmente músicos brilhantes. Se as músicas eram meio “melosas”, olha, isso é questão de gosto, mas eu não consigo ver nada brega no seu repertório. Tem aquelas coisas tristes e lentas sim, mas nenhuma me parece ser de mal gosto.

Muito provavelmente a Legião Urbana foi e é até hoje o grupo de rock (música em geral se preferirem) mais influente e popular do Brasil. Afinal, que não tentou decorar a letra de Faroeste Caboclo quando esteve no ensino médio? Viu o MTV Acústico, ou escutou no rádio e baixou as mp3 da banda? Gente de todas as tribos e idades.

É até bem raro ver as músicas do Legião sendo regravadas por outros artistas. Lembro vagamente do Charlie Brown Jr cantar Baader-Meinhof  Blues, e também de uma excelente interpretação de Cassia Eller para Por Enquanto. Sei lá, mas me parece que as músicas do Legião já falaram tudo que podiam, e regravá-las é algo meio sem sentido. Ah sim, o Reação em Cadeia regravou Quase sem Querer, mas preferia não lembrar disso.

Cada disco da banda é uma obra diferente, com contornos bem delineados. O rock inglês anos 80 do primeiro album. O Dois e seu estilo folk. O punk rock do Que Pais é Esse. O pop rock de As Quatro Estações. O disco longo e tedioso V (que mesmo sendo longo e tedioso é muito bom, ou vocês não gostam de Radiohead?). O descobrimento do Brasil, com suas baladas e músicas mais lentas. A Tempestade, um disco pesado e depressivo (o Renato estava morrendo, vocês queriam algo alegre?). Aquela coisa chata que é Uma Outra Estação. Cada um é visivelmente diferente do outro. Basta sentar e escutar.

Domingo agora seriam os 50 anos de Renato Russo, se ele vivo fosse. Ele tinha uma espécie de plano para sua vida. Seria músico até os 40, diretor de cinema até os 60 e depois disso escritor. Pena que as coisas não aconteceram assim. Culpa dele próprio e seu estilo de vida exagerado (sexo, drogas e rock n roll) e da própria época em que vivia. Culpa da AIDS, que surgiu do nada e matou um monte de gente.

É uma pena que as coisas aconteceram assim. Mas fica a lembrança.

Written by Dyeison Martins

31 de março de 2010 at 19:07

Publicado em Música

Duelos nas ruas de Melborne

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Quem ficou heroicamente acordado assistindo a corrida do GP da Australia, em Albert Park, viu uma corrida de verdade, com todos os seus ingredientes imagináveis. Com chuva e tudo o mais.

Começou com uma largada dragster de Felipe Massa. O brasileiro ultrapassou Button, Alonso e Webber e foi para cima de Vettel, que largou na ponta e lá se manteve. Alonso largou mal, se viu cercado por Button e Schumacher, foi atingido pelo inglês e ficou ao contrário, vendo seus sonhos de vitória irem agua abaixo. Na mesma dividida tripla Schumacher tem seu bico danificado, o que o obrigou a ir para os boxes trocá-lo. Só o atual campeão Button ficou inteiro e pronto para os combates que se seguiriam. Pelo menos até encarar seu companheiro Hamilton, que com os acidentes ganhara diversas posições.

Depois da largada, estava tudo assim: Vettel ia na frente com sobras. Massa teve que encarar a realidade de que seu carro não estava bem equilibrado para a prova e já perdia contato com o lider, enquanto quem vinha atrás se aproximava. Webber, sedento por uma vitória em casa, era o terceiro. Robert Kubica, o talentoso polones, era surpreendetemente quarto com a sua fraca Renault. Nico Rosberg era quinto, com Button e Hamilton logo atrás. Fernando Alonso estava em 18°, e Schumacher era o último.

Kamui Kobayashi, considerado por muitos o melhor japonês que já apareceu na Formula 1 (o que não representa absolutamente nada, visto todos os anteriores, sem excessões, eram pilotos sofríveis), teve mais um acidente. Ele bateu na sexta, no sábado e no domingo. E segue tomando tempo de um ex-aposentado Pedro de la Rosa. Koba na largada bateu feio em Nico Hulkenberg, a jovem promessa alemã, que também não se firmou ainda, e toma tempo do Barrichello. Sebastien Boemi saiu também, por problemas.

O Safety Car ficou algumas voltas, para que os destroços fossem removidos. Quando a corrida recomeçou, já começou com Hamilton ultrapassando facilmente Button, e depois Kubica. Quando Webber ultrapassou Massa, Hamilton, com todo o arrojo que Deus lhe deu, também passou e brasileiro e foi dividir a posição com o australiano. Ambos erraram e Massa retomou usa posição.Lá atrás, enquanto um velho Schumacher se via com problemas, Alonso começava a abrir caminho, decidido rumo ao pelotão de frente.

Enquanto uns aceleram, outros pensam. Foi o que fez Button. Ele podia ficar atrás, brigar por pontos e contra seu companheiro. Ou podia arriscar tudo.Foi o que ele fez. Apostou no all in. Mandou sua equipe preparar a troca de pneus. Já havia parado de chover, mas a pista ainda estava molhada. Todos usavam pneus intermediários, para a chuva. Ele trocou por pneus slick, e já na primeira curva escapou. Todos riram. Pensavam que Button fizera uma grande cagada. Só que em todos os momentos que Button foi precionado, principalmente no ano passado, ele soube dar a volta por cima. Duas voltas depois era de longe o mais rápido da pista,e passou com facilidade Kubica. O que forçou a todos fazerem as trocas.

Foi um caos. Felizmente não aconteceram acidentes. Massa perdeu sua posição para Robert Kubica e Nico Rosberg. Button passou todos, menos Vettel. Hamilton novamente ultrapassa Massa, e parte para o combate com Rosberg. Quem tenta se aproveitar disso é Alonso, que mesmo já tendo parado já era 7°, mas falha na sua manobra de ultrapassagem dupla, e Webber (que demorou a trocar os pneus) o ultrapassa.

Hamilton, mostrando a todos porque é um dos pilotos mais talentosos de sua geração, persegue Rosberg e o ultrapassa por fora, numa manobra plasticamente linda. Ambos usando os potentes motores Mercedes. Rosberg tenta dar o troco, mas falha. Ai entra o imponderável na corrida. Sem nenhuma explicação aparente, Sebastian Vettel, que vinha liderando desde o início, voa para fora da pista e cai nas britas. Depois fomos informados que uma porca soltou. Button era agora lider, com uma boa vantagem na frente. Apenas Kubica e sua fraca Renault impediam uma dobradinha da McLaren.

Confiante, Hamilton parte para o ataque a Kubica. Webber ultrapassa Massa (não se perca nas contas, foi apenas a terceira vez nessa prova) e também parte atrás de Rosberb. Agora a prova tem Button como lider absoluto, Kubica em segundo, Hamilton, Rosberg, Webber, Massa e Alonso.

Quem disse que seria fácil? Hamilton tenta de todas as maneiras, mas nada de passar o polonês. Enquanto isso, tanto Webber quanto Rosberg vão para os boxes, trocas os pneus. Ja que a maioria do grid estava com os pneus desgastados,  quem trocasse agora teria uma enorme vantagem de desempenho. E quem trocasse primeiro teria vantagem, como fez Button no início da corrida. Logo depois Hamilton faz isso, para não deixar os dois se aproveitarem de uma troca cedo. E planejando passar Kubica quando ele fosse fazer sua troca. Depois da corrida, Hamilton diria que isso foi um erro. Nem Button, nem Kubica e nem as Ferraris tinham qualquer plano de parar.

O dia estava realmente competitivo para Fernando Alonso. O espanhol foi tocado na largada, caiu para ultimo, dado como morto na prova, ultrapassado quase todo o grid e agora estava em quarto. Seus pneus estavam destruidos, haviam dois carros mais lentos que ele na sua frente, e mesmo assim ele não poderia passar, já que o carro imediatamente a sua frente era o de seu companheiro Massa (e a Ferrari não gosta de combates entre seus pilotos). Três pilotos agora vinham atrás tirando cerca de dois segundos por voltas. Entre eles seu eterno rival (e segundo alguns arqui-inimigo) Lewis Hamilton, o Nigel Mansell da atualidade. O Principe das Asturias respirou fundo, tratou de economizar qualquer resto de pneus que ainda lhe restavam e esperou pelo combate.

Foram sete voltas de uma luta limpa, onde Alonso mostrou porque é considerado um dos melhores, se não o melhor, piloto do grid. Mesmo mais lento, não abriu espaço e defendeu heroicamente sua posição. Em mais de um momento pareceu que Hamilton iria ultrapassar, mas no último momento o espanhol segurava. O difícil seria o inglês segurar seu ímpeto. Ele logo tentaria algo louco e/ou genial, e poderia ultrapassar, ou jogar sua corrida fora.

Ele tentou isso na curva 13. Jogou o carro por fora, enquanto Alonso passou por dentro. Ambos entraram na curva e competiram para ver quem seria o ultimo a freiar. Alonso ganhou a parada, travando as rodas no meio da curva e sustentando a posição, num momento de gênio. Hamilton teve que frear e deter seu ataque, por não haver espaço para ultrapassar. Webber, que vinha atrás e não possuia espaço para fazer mais nada, acertou a trazeira de Hamilton e ambos foram para as britas.  Foi Rosberg que se dedicou a atacar Alonso, mas sem o mesmo ímpeto que Hamilton. No final a diferença entre eles foi de 0.3.

No final, Button venceu e convenceu. Kubica surpriendeu e Massa fechou o pódio. Alonso celebrou o quarto lugar como uma vitória (e foi mesmo). E a RBR vê seus inimigos se distanciando.

Considerações finais

Alonso segue lider. E mostrou que é o melhor piloto do grid. Diferente de muitos, não vejo como questão de tempo uma crise com Massa. Ambos até agora respeitam o espaço um do outro. Mas teria sido mais sábio a Ferrari mandar o Massa reduzir para o Alonso passar, para o campeonato, e porque o espanhol era mais rápido. Ele poderia até ter atacado Kubica. Já o brasileiro fez uma excelente largada, e soube segurar seu carro. Mas precisa de mais para enfrentar o espanhol.

Hamilton ficou irritado e já saiu criticando a equipe. Nos tempos de Alonso na McLaren, era o espanhol que reclamava, por vezes com razão, por vezes não. Agora foi a vez dele reclamar da estratégia de seu companheiro. Bem, foi idéia do Button. Ninguem mandou ele não passar o Kubica (não que seja fácil, mas seu companheiro conseguiu com relativa facilidade), ou depois ficar empacado atrás do Alonso (quanto a isso não podemos culpá-lo). Vamos ver como ficarão as coisas se o Button conseguir terminar mais vezes a frente dele. Já o atual campeão cresce no conceito da equipe, tendo acertado melhor seu carro, terminado a classificação na frente e vencido a corrida.

Existe algo de podre no reino da Austria. Segunda corrida de domínio de Sebastian Vettel, e segunda que ele fica pelo caminho. Na outra ele pelo menos conseguiu terminar. Agora quebrou na metade. Ele é candidataço, mas precisa fazer mais pontos. Enquanto isso Webber só decepciona. Mas nada de errado acontece com seu carro.

O velho Schumacher não é mais o cara que foi antes. Parece que seu tempo passou. Demorou boa parte da corrida para ultrapassar Alguersuari, enquanto Alonso passou rapidamente seu compatriota. Sua disputa com o Rosberg está muito desigual.

No mais, esse campeonato promete. A próxima etapa é na Malasia, essa semana mesmo. RBR é a mais rápida, a Ferrari esta forte na briga, e a McLaren também não esta morta. A temporada promete.

Written by Dyeison Martins

29 de março de 2010 at 17:45

Publicado em Automobilismo

Começa um time

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O Grêmio começou a jogar futebol. Não na ultima partida, mas o crescimento vêm acontecendo aos poucos, desde o final do primeiro turno. Houveram boas e más partidas, tanto individual quanto coletivamente, mas finalmente parece que surgiu o time e o esquema do Grêmio. Victor; Edilson, Mario Fernandes, Rodrigo e Fabio Santos; Ferdinando, Adílson, Maylson e Douglas; Jonas e Borges. Essa ai é a escalação, pelo menos por enquanto, dos onze ideais do Grêmio.

Victor é o goleiro selecionável de sempre. Edilson é um lateral direito médio para bom. Mario é um grande zagueiro, e tem tudo para ser de Seleção Brasileira. Rodrigo é um zagueiro sério e técnico, que deu segurança para o setor, sendo hoje o chamado “xerife”. Fabio Santos é um lateral esquerdo cumpridor. Ferdinando é aquilo, um primeiro volante médio. Adilson não é nenhuma virtuose técnica, mas é um jogador esforçado. Ainda prefiro William Magrão para a função, mas ainda serve. Maylson cresce a olhos vistos, ajudando na marcação e apoiando com efetividade. Douglas ainda nos deve gols, porque o resto ele faz com maestria. Jonas ajuda na armação e é uma das peças chaves no ataque, marcando gols e dando assistências. Borges faz gols e pivôs.

A verdade é que a birra da torcida (talvez a mais implicante e insuportável do Brasil, fora os são paulinos) e da imprensa não deu trégua até o ocaso colorado. O Inter começou a perder e a jogar menos do que já jogava. Na realidade, o Internacional pouco jogou até agora, mas ainda conseguia resultados. Quando isso mudou, a casa colorada caiu. Tendo que pressionar o Inter, a imprensa começou a glorificar o Grêmio, já que na tradicional gangorra, quando um desce, o outro sobe. Agora o Grêmio está por cima e o Inter por baixo.

Na realidade o crescimento gremista é uma curiosa mistura de qualidade, ousadia e sorte. Qualidade porque o time é bom sim, a direção montou um bom time e entregou para o treinador. Ousadia porque esse mesmo time é caro sim, um pouco mais do que deveria, mas o Presidente Duda sabe (algo que o Odone também sabia mas preferia evitar) que um bom time custa dinheiro, e mais vale arriscar do que ficar com campanhas medianas. O pulo do gato do Duda foi justamente escolher apostar num ano sem Libertadores, porque a Copa do Brasil é uma competição mais fácil, e com os grandes times na Libertadores, é teoricamente mais fácil ser campeão.

Agora, a sorte sim foi um dos fatores principais. A lesão de vários jogadores que estavam jogando pouco e forçavam lugar no time titular via carteiraço (Souza, Leandro e Hugo, por exemplo),abriu espaço para que os jogadores mais úteis pudessem conseguir seu lugar. E foi sorte, muita sorte mesmo, o Inter ter perdido para o Novo Hamburgo. Sabem como Grenais são complicados, e perder outro naquela situação poderia ser desastroso. Mas no final o Grêmio enfrentou o Novo Hamburgo, venceu e foi campeão do turno. Passou toda a responsabilidade para o outro lado. Com a tranquilidade de já estar na final do supercampeonato, o time pode ir se encaixando aos poucos.

Então, em se tratando de Gauchão, tudo se encaminha bem nos lados da Azenha. O Grêmio provavelmente será a melhor campanha do segundo turno, e vai decidir as fases decisivas do Olímpico. Inclusive o Grenal, não sei exatamente quando acontecerá. Claro que o melhor seria não haver Grenal, mas se acontecer, é melhor que seja no Olímpico. Quanto a um supercampeonato, espero que ele não seja necessário. Até porque tenho o palpite que se o Grêmio não matar a coisa agora na segudno turno, dificilmente será campeão. É só um palpite, mas também é o lógico a acontecer.

Finalizando, o time está bem. Pode, e deve, melhorar ainda mais. Mas com o tempo isso acontecerá. Coisas como parar de tocar a bola sem sentido, ir até a linha de fundo e fazer a bola voltar e tentar entrar na area tabelando. Buscar mais os cruzamentos (e melhorar esse fundament0). Melhorar a bola parada cruzada na área (saudade do Tcheco nisso) e até mesmo a direta (saudade do Souza nisso, e olha que eu detesto ele). O time tem muito a melhorar, mas estamos no caminho. Quanto ao Gauchão, fica complicado.

Written by Dyeison Martins

26 de março de 2010 at 17:23

Publicado em Grêmio

O Guia do Mochileiro das Galaxias – o livro

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Eu sei que já escrevi sobre isso, mas agora eu finalmente terminei de ler o livro. O Guia do Mochileiro das Galaxias, o livro, é algo muito superior ao que eu imaginava. Não que o filme seja ruim, muito pelo contrário, mas apenas no livro encontramos coisas que seriam impensáveis. Apenas o Monty Python poderia filmar algo tão completamente louco e engraçado.

O livro é uma sátira. Isso fica visível do início ao fim. A maneira como ele começa, com a destruição da terra pelos Vogons, apenas para construir um desvio intergaláctico, até o final com eles abandonando o planeta morto de Magrathea, tudo é uma grande piada. Todos os setores da sociedade inglesa (e porque não mundial?) são satirizados. Os servidores públicos (vogons), a polícia (os policias de Magrathea), os intelectuais (os seres pandimencionais), até mesmo os filosofos (naquele lendário momento em que os seres pandimencionais ligam o Pensador Profundo), sobram piadinhas para todos.  Zaphod Beeblebrox, o presidente do Império, é apenas uma figura decorativa (assim como o Rei da Inglaterra). Alias, existe um trecho que diz que o Imperador morreu há muito tempo, então guardaram seu corpo num estado de semi-vida, numa sutil, porem genial, referência a como funciona a relação da Inglaterra com o seu rei hoje.

Arthur Dent, o terráqueo da história (junto com a Tricia, é verdade) é o clássico britânico. Fico em dúvida se os britanicos são tão… histéricos… em suas reclamações. Eles certamente gostam muito de chá também. E de cerveja. Marvin é fantástico, ainda mais depressivo e insuportável que no filme. Ford é um pouco mais heróico, alias, ele é meio que o lider do grupo, o cara que faz as coisas acontecerem. Só a Tricia que eu achei meio sumida no livro.

Não é nenhuma grande obra literária. É aquele tipo de livro que se lê rapidamente. Os acontecimentos e as piadas são jogadas em cima do leitor, que se for desatento pode perder muitas das melhores sacadas. Mas quem ler, verá um misto de filosofia e nonsense. Leiam, não há como se arrepender

Written by Dyeison Martins

24 de março de 2010 at 16:21

Publicado em Literatura

Cinquenta anos da “lenda” Senna

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Sim, foi ontem, eu sei. Comecei a fazer um texto, mas a internet caiu e não quis voltar, então em me irritei e deixei para depois. O depois chegou, e vamos então falar sobre uma das figuras mais míticas (e porque não polêmicas) da história do esporte brasileira, Ayrton Senna da Silva.

O status de semi-divindade que o piloto adquiriu depois de sua morte é conhecido, e eu como participante ativo de comunidades de discussões sobre Formula 1 vejo bizarrices quando o nome do piloto é citado. A veneração chega ao ponto do absurdo e do cômico. Senna é colocado por seus fãs numa espécie de altar, acima do bem e do mal. Mesmo os erros do piloto são vistos como grandes feitos.

Isso acabara gerando um efeito reverso. Muitos outros fãs da F1, mas não “seguidores de São Ayrton” acabam se irritando e provocando os fãs. Apelar para a velha questão do homossexualismo é clássica. Que diferença que faz se o cara era ou não gay? Isso geralmente perturba muito os fãs, que ficam incoformados com isso. Os boatos sempre correram pelo paddock. Mas francamente, para mim (e para os que são verdadeiramente fãs) isso não faz diferença alguma.

Um cara que conseguiu definir com exatidão como os sennistas pensam foi o colunista Diogo Mainardi (sim, antes que vocês perguntem eu confirmo, eu estou concordando com o Mainardi, e sem qualquer tipo de cinismo, sarcasmo ou ironia). Piquetista assumido, Diogo Mainardi definiu Senna como “um menino prodígio escolhido por Deus que corre para o bem da pátria”. Certamente Senna não pensava assim, mas a maioria dos seus fãs vêem as coisas dessa maneira.

Alias, abrindo um rápido pareteses. Não entendo essa briga eterna que os fãs de Piquet tem com Senna. Ambos eram tricampeões do mundo, de estilos muito diferentes. Senna era arrojado (até demais) e Piquet era cerebral e um grande acertador. Custa respeitar ambos como os grandes pilotos que são?

Isso é muito importante ressaltar. Senna foi sim um dos maiores pilotos de todos os tempos. Coloco ele no meu top 5, com Fangio, Jim Clark, Prost e Schumacher. Era rápido como poucos, arrojado ao extremo, mas também sabia vencer, diferente de um Gilles Villeneuve da vida que corria muito e cagava mais ainda.

O Brasil é carente de figuras em esporte individuais. Alem do Senna temos quem, o Guga? O segundo esporte brasileiro é o automobilismo, isso é certo. Depois tivemos Rubinho e Massa como figuras de destaque, mas nenhum deles foram campeões (ainda, pelo menos). Logo, enquanto isso não acontecer, ou mesmo se acontecer (o Brasil pode nunca mais ter um piloto campeão de F1, ou mesmo que um ganhe) o Brasil ficará orfão dele.

Written by Dyeison Martins

22 de março de 2010 at 16:49

Publicado em Automobilismo

Eu não fui no show do Guns, e fiz bem

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Quase pensei em ir no show do Guns n’ Roses ontem a noite em Porto Alegre. Mas quase mesmo. Era uma banda que eu já havia escutado muito, quando era mais novo. Aquela fase entre os quatorze e dezesseis, sabem? É uma banda influente e importante, que fez a transição entre o metal farofa dos anos oitenta para o grunge do início dos noventa. (Tá, podem chamar de hard rock, mas esse é um estilo morto).

Mas para eu ir no show do Guns n’ Roses ele teria que vir para cá. O que não aconteceu. O que pisou ontem aqui em Porto Alegre (e no resto do Brasil antes) foi uma banda completamente contratada por um Axl Roses decadente, que tem chiliques e decide simplesmente não tocar certas músicas. Parece que ontem ele não estava a fim de cantar Patience, e foram necessário diversos advogados para demovê-lo da decisão.

Tudo bem que rockstars sempre foram famosos pelas suas cenas, mas eu me pergunto se Axl tem condições para tal. Afinal, qual é o novo sucesso da banda?  O Chinese Democracy (que eu nem perdi meu tempo escutando) foi metralhado por todos os lados, isso que estamos falando de um album que ficou uns dez anos na geladeira.

Parece-me que o Axl já esta numa fase Coração Louco, como no filme do Jeff Bridges. E olha que ele não é nenhum Jeff Bridges. Quanto ao show, pelo que eu li até foi bom. A galera que era fã mesmo esteve presente e curtiu, cantou, tirou as velhas bandanas no armário. Tudo muito bonito, o Axl, mesmo não sendo o velho Axl, dizem que ainda é um grande frontman, capaz de emocionar e encher de energia.

Que bom, para quem curte mesmo a banda (ou o vocalista). Mas para quem não é realmente fã, como eu, ficaria faltando. Os solos do Slash, o Izzie, o Duff… Enfim, a velha banda.

Written by Dyeison Martins

17 de março de 2010 at 16:01

Publicado em Música

GP do Bahrein e como pode ser o ano

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Foi uma boa corrida a abertura do Campeonato Mundial de Formula 1. Eu admito que esperava um pouco mais, mas é interessante ver como os pilotos reagem perdendo boa parte de suas diretrizes. Por exemplo, agora não existe mais reabastecimento, então os pit stops serão só troca de pneus. Com os carros mais pesados, será importante poupar tanto combustível quanto os pneus. Isso fez com que nessa primeira corrida nem os pilotos nem as equipes tivessem muita certeza de como ia ser a corrida, quanto os pneus iriam durar, se alguem ia ter pane seca, essas coisas.

Os treinos foram como são geralmente, com a vantagem que agora não precisamos mais ficar esperando horas para descobrir o peso com que os pilotos irão largar. Os mais rápidos serão os primeiros, sempre. Mesmo se alguem preferir largar com pneus duros, ainda assim irá largar bem. Não acontecerão mais aquelas poles mentirosas do cara largar no cheiro. Os primeiros treinos oficiais do ano serviram para mostrar algumas coisas. Ferrari e Red Bull estão na frente. E nessa ordem mesmo. Vettel conseguiu a pole no braço, como se diz. Mesmo tendo passado boa parte do treino atrás, Felipe Massa conseguiu surpriendentes 4 décimos de vantagem em relação a Fernando Alonso. O espanhol alegou simplesmente ter ido mal nos treinos. McLaren e Mercedes estão atrás dessas, mas Hamilton conseguiu um quarto lugar também no braço.

A corrida apenas serviu para confirmar isso tudo. Vettel saltou na frente, e liderou boa parte da corrida. Alonso ultrapassou Massa na largada, numa manobra que combinou inteligência com técnica. Hamilton perdeu seu lugar para o alemão Nico Rosberg. E só. Depois da largada não houveram mais ultrapassagens. E segundo se diz, elas são quase impossíveis, pois o carro atrás desgasta mais os pneus e perde aderência. Logo a maioria das medidas da FIA (que tinham como objetivo aumentar o númedo de ultrapassagens) foram um tiro no próprio pé.

Acho que a corrida talvez terminasse assim mesmo. Mas o destino resolveu brincar e Vettel começou a apresentar problemas de potência no motor. Alonso esperou o momento certo e ultrapassou o alemão, seguido de Massa um pouco depois. Depois Hamilton, que tinha superado Rosberg nas trocas de pneus, também passou. E foi assim até o final. O engenheiro da Ferrari mandou Massa diminuir o ritmo, pois esse teve problemas a corrida inteira com o consumo de combustível. E foi só. Alonso ficou brincando de bater voltas rapidas até o final.

O resultado final deixou algumas coisas visíveis, para o começo da temporada. A Ferrari está na frente. A RBR até se compara, mas o time italiano possui hoje o melhor carro do grid. A montadora austriaca ainda tem sérios problemas de confiabilidade. Desde os testes de inverno é assim. Foi a mesma coisa ano passado, era  um carro rápido e vencedor, mas quebrava demais. McLaren e Mercedes estão um pouco atrás, também nessa ordem. Mas isso pode mudar, visto que a equipe de Woking teve o difusor considerado ilegal, e vai ter que mudar isso. Eles até possuem um plano B, mas se fosse melhor que o atual, não seria “B”.

Quanto aos pilotos, ainda acho que Alonso é o cara a ser batido. Ele fez uma corrida brilhante, poupando combustível e pneus e ainda assim conseguindo se manter rápido o bastante para não perder contato com Vettel e não deixar Massa se aproximar. Vettel é muito rápido e talentoso, e vai dar trabalho. Massa mostrou que pode sim correr no ritmo de Alonso, então não é carta fora do baralho. Hamilton correu bem e contou com a sorte, mas se tudo continuar assim brigará por podios ocasionais. Weber e Button foram muito mal, nunca chegando perto de seus companheiros de equipe. Schumacher por enquanto vai figurar

Dizia-se que essa iria ser uma das mais competitivas temporadas de todos os tempos. Já começo a duvidar disso. Se a Ferrari manter esse rendimento e se a RBR não melhorar nos problemas de confiabilidade, pode ser mais uma daquelas temporadas definidas desde o início. Claro que existem “ses”, mas hoje as coisas são assim. Claro que McLaren e Mercedes podem melhorar, claro que a RBR pode estar sim mais consistente e esse foi um problema ocasional, mas eu apostaria isso para umas 3 ou 4 corridas futuras.

E para quem quer ser campeão, pontuar bastante é preciso. E a temporada começou com Alonso fazendo isso.

Written by Dyeison Martins

15 de março de 2010 at 16:58

Publicado em Automobilismo