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Archive for dezembro 2009

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

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Bem, esse é o último post do ano. Não acho que já fechei um ano com esse blog sendo mantido. Apesar dos pesares, há uma grande quantidade de textos aqui, alguns bons, outros nem tanto, alguns suavemente úteis, outros completamente descartáveis. Mas isso não quer dizer que sejam ruins. Talvez daqui há, não sei, vinte ou trinta anos, eles sejam compreendidos como o que realmente são: o início da caminhada de um dos maiores gênios de sua geração. Ou apenas mais um blog de mais um jovem inútil. Eu apostaria na primeira hipótese. (Isso se seres humanos ainda existirem daqui há trinta anos, o que eu duvido muito.

Eu tinha prometido esse texto há muito tempo, mas nunca senti a devida firmeza para escrevê-lo. O fato é que se trata de um dos meus filmes preferidos, talvez junto com Casablanca seja O meu filme preferido. Fala sobre uma série de temas e situações que são comuns no meu universo, ou das quais eu me identifico. Sim, é um filme (como ele próprio diz) neurótico e cheio de complexos, mas quem hoje em dia não tem a sua dose de neuroses?

Annie Hall. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, como foi traduzido o título para o português.  Talvez o mais importante filme de Woody Allen, dentre uma longa lista de filmes como Hannah e Suas Irmãs, Manhattan, Todos Dizem eu te amo, A Rosa Púrpura do Cairo, A ultima noite de Boris Gushenko, Dorminhoco, Match Point… Dentre todos esses, Annie Hall se sobressai por ser a primeira vez que Allen conseguiu juntar a seu gênio cômico sua (até então desconhecida) veia dramática. Allen quebrou todos os paradigmas anteriores de sua obra para se firmar como um dos principais diretores de todos os tempos, discípulo de gênios como Ingmar Bergman e Federico Fellini.

Woody Allen é Alvy Singer, mas Alvy Singer não é Woody Allen. Se tornou corriqueiro nas análises de seus filmes, pensarmos que Allen interpreta a si mesmo. Isso é um erro, ele mesmo diz que os personagens até podem ser inspirados em sua personalidade, mas ele acentua várias características para torná-los mais interessantes. Alvy é um comediante de sucesso, um judeu do Brooklyn e freqüenta um analista há quinze anos. É paranóico, obcecado pela idéia da morte, e costuma soltar pérolas animadoras como: “Existem dois tipos de vida: miserável e terrível. Terrível é quando a pessoa possui um problema muito grave, como uma deficiência física ou uma doença incurável. Miserável é todo o resto, portando agradeça se sua vida for miserável”.

Diane Keaton é Annie Hall. Também profundamente inspirada na sua atriz, cujo apelido é Annie e o verdadeiro sobrenome é Hall. Annie é uma daquelas meninas do interior que vêm para a cidade grande a procura de seus sonhos, que deseja se tornar uma pessoa maior, mais complexa e evoluída do que são em sua cidade natal. Para isso pretende se tornar uma artista. Isso mesmo, uma artista, ela não sabe exatamente o que exatamente. Por isso é uma atriz, cantora, fotógrafa e Deus sabe mais o que.

A história gira em torno do relacionamento improvável entre esses dois fascinantes personagens. Desde quando se conhecem, numa cena onde enquanto eles conversam sobre fotografia, aparecem legendas com os seus pensamentos, com Annie pensando coisas como “será que ele é legal” e Alvy pensando “ele é bonita, como será que é pelada” (todo homem pensa em coisas assim, não?). Vemos o amadurecimento desse relacionamento, as crises e o fim dele. E um pouco mais alem, com reflexões sobre os relacionamentos de todas as pessoas.

O filme ainda se reserva o direito de criticar a tudo e a todos os desagrados de Allen. Desde um pseudo-intelectual que tenta impressionar uma moça na entrada de um filme do Fellini, os hippies, gurus indianos, as seitas tão me moda na época e até mesmo os habitantes de Los Angeles e o show bussines da época. Sobra para todo o superficialismo da então sociedade americana. E sobra tempo ainda para ele conseguir criticar a si mesmo e seus estereótipos. Um judeu que crê que o mundo inteiro é anti-semita, e que fica assistindo documentários sobre a Segunda Grande Guerra (The Sorrow and the Pity, que aparece mais de uma vez no filme).

Mesmo com essa metralhadora ácida, o filme foi premiadíssimo. Quase ganhou o Grand Slam do Oscar (mais abaixo eu explico melhor isso), e mesmo sem saber quem ganhou o premio de melhor ator daquele ano, a interpretação de Allen merecia esse prêmio. Esse filme curiosamente também selou a inimizade entre Allen e a Academia, porque ele não compareceu na entrega dos prêmios.

(Ok, o Grand Slam do Oscar é uma definição minha para filmes que conseguem vencer Melhor Filme, Ator, Atriz, Diretor e Roteiro. Apenas três filmes o fizeram até hoje, entre eles Um Estranho no Ninho e O Silêncio dos Inocentes Faltou só o Melhor Ator para AnnieHall ter conseguido. Outra hora eu me delongo mais nas explicações do que é o Grand Slam dos Oscars).

Mesmo sendo uma comédia, no fim das contas o que mais importa são os momentos reflexivos. Aquele monologo inicial onde Alvy começa a nos contar quem é, fica visível que a separação o feriu muito. Depois que eles se separam, ele escreve uma peça que termina com o mesmo dialogo, mas com eles reatando “é porque é a minha primeira peça, e nós sempre tentamos fazer com que na arte as coisas terminem perfeitas, porque não é assim na vida”.

Ou o inesquecível “é assim que eu vejo os relacionamentos de hoje em dia, são irracionais e dolorosos, mas nos mantemos neles porque precisamos dos ovos” (faz sentido quando tu ver o filme). No fim essa é a grande moral. Estamos cada vez mais centrados em nós mesmos e nos problemas que muitas vezes criamos para tentar acabar com o vazio de nossas vidas, que acabamos perdendo a capacidade de nos relacionarmos uns com os outros. Mesmo assim precisamos disso, precisamos acreditar em coisas como amor e felicidade. Sim, é um final melancólico e triste, mas preserva coisas como fé e esperança.

Bem, Feliz Ano Novo a todos. Até o ano que vêm.

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Written by Dyeison Martins

30 de dezembro de 2009 at 16:03

Publicado em Filmes

Musica inglesa dos anos 80

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O final de ano torna as pessoas mais reflexivas. Não sei se sou só eu, provavelmente não. Enfim, tu começa a lembrar do porque de algumas coisas que tu gosta, e desde quando tu gosta delas. Então escolhi uma das coisas que eu mais gosto, e não me lembrava de onde. Musica depressiva inglesa dos anos 80. Principalmente Smiths.

Tudo bem que as coisas são bem complicadas a esse respeito. Muitos dizem que Smiths é música de viado, e que Morrissey é a mãe de todos os emos. Eles estão provavelmente certos, mas isso não tira o valor de uma das melhores bandas de todos os tempos. Ou de todo o seu estilo musical, que esta entre os meu preferidos.

Tudo bem que as músicas são tristes, com um aquele vocal profundo característico. Quando entram as guitarras do Johnny Marr e o baixo de Andy Rourke, que são talvez a melhor combinação que eu já vi. As guitarras são rápidas e estridentes, enquanto o baixo faz o fundo, de maneira rápida também. Muitas das músicas são dançantes e alegres, contrastando com as letras super pra baixo, como Heaven Knows I’m Miserable Now, Last Night I Dream That Somebody Loved Me…

Mas essa é só uma entre tantas bandas fantásticas, como The Cure, a mais pop de todas, com aqueles teclados anos 80 e hits inesquecíveis como Boys Don’t Cry (virou até o nome de uma festa anos 80 aqui no sul), ou Just Like Heaven, que é uma das minhas músicas preferidas de todos desde sempre.

Todo meu conhecimento sobre música eletrônica se resume em Depeche Mode e Echo & The Bunnymen. E olha que eu não conheço muito, mas Enjoy the Silence e Killing Moon são algumas das músicas que eu mais curto desde então.

Acho que eu gosto tanto porque cresci escutando essas músicas lá em casa. Meus pais são novos e curtiam esses sons. E afinal, eu sou filho dos anos 90, minhas referencias musicais não eram o que estava tocando na rádio de novo, e sim o que nos passavam os filmes da Sessão da Tarde, e eram filmes clássicos oitentistas, com ombreiras, polainas e aquelas luvinhas legais com os dedos cortados e um furo nas costas. Eu sempre quis uma dessas.

Bem, talvez a grande música desse período, a síntese desse estilo é a inesquecível Love Will Tear Us Apart, do Joy Division. Não tem como não gostar dessa música. “O amor vai nos destruir, de novo”, cantou um tal Ian Curtis antes de se enforcar aos 23 anos.

(Sim, esse é um típico post feliz de fim de ano. Amanha tem mais.)

Written by Dyeison Martins

29 de dezembro de 2009 at 15:40

Publicado em Música

O Guia do Mochileiro das Galaxias

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Se existisse uma escala de 1 a 10 em coisas de nerd, provavelmente “O Guia do Mochileiro das Galáxias” estaria pelo menos lá pelo 9. Claro que mais pelos nerds do que pela obra em si. Sair por ai com uma toalha não é exatamente um comportamento comum, mas já que existe o Dia Mundial da Toalha (24/05), vamos respeitá-los.

Mas, como sempre, eu comecei pelo meio – como o bom discípulo de George Lucas que sou. O que é essa obra inglesa de humor absurdamente nonsense, que combina crítica social, ficção cientifica e filosofia? Escrito de maneira magistral por Douglas Adams, o Guia já foi tudo. Programa de rádio, série de TV, série de livros e mais recentemente, um filme, que até onde eu saiba fez um sucesso moderado.

O início da história, pelo menos no filme (o livro eu recém comecei a ler) é o seguinte: Os humanos, apesar de pensarem ser os seres mais inteligentes do planeta, são apenas a terceira raça nesse ranking. A segunda, os golfinhos, descobrem que o planeta está prestes a ser destruído, e tentam de todas as formas explicar isso para os humanos. Seres de intelecto reduzido que são, nossa raça interpreta a avançada comunicação dos golfinhos como brincadeiras, dando-os peixes como recompensa. Desistindo, os golfinhos finalmente fogem da terra, cantando “Solong, and thanks for all the fish” (adeus, e obrigado pelos peixes), numa das cenas mais bizarras e cômicas que eu vi até hoje.

A partir dai, embarcamos na história do incrivelmente inglês Dent, Arthur Dent. Com o auxílio de seu melhor amigo Ford Prefect, um alien disfarçado que pensava que os carros fossem a espécie dominante do planeta (isso explica o nome?), ele consegue escapar da destruição da terra pelos vogons. Destruição essa cujo único objetivo é para a construção de um desvio hiperespacial. Tal medida só seria tomada por uma raça como os vogons, seres sem imaginação ou sentimento, que apenas gerenciam coisas. São considerados a raça mais burocrática do universo, uma piada com a burocracia da Inglaterra (alias, não só de lá, eu que trabalho num órgão público me diverti horrores com eles).

No final, Arthur, Ford e Tricia embarcar numa busca através do espaço a procura da “Pergunta Fundamental, sobre a Vida, o Universo e tudo o mais”, com o auxílio do Guia do Mochileiro das Galáxias, um livro que contém informações sobre tudo na galáxia (como a Terra é desimportante, a única referencia a ela é “Praticamente Inofensiva”). Mas já está bom de spoilers. Eu disse que era coisa de nerd, e é mesmo. Mas mesmo assim, se surgir a oportunidade, alugue o filme ou leia os livros. Satisfação é garantida.

Então pegue sua toalha (não vou explicar o porquê delas), não pense e principalmente NÃO ENTRE EM PÂNICO!

Written by Dyeison Martins

28 de dezembro de 2009 at 14:47

Publicado em Filmes, Literatura

Feliz Natal (filme legal com mensagem legal)

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O fim do ano me torna um pouco sentimental. Esse lance de Natal, católicos em festa e todo mundo cantando Happy Chistmas (War is over) do John Lennon. É legal, eu admito, gosto de imaginar um mundo melhor com as pessoas felizes e em harmonia. Sei que isso é praticamente impossível, mas sonhar não custa nada.

(Admito que eu sonho bem mais com a Scarlett Johansson do que com a paz mundial, mas é que um cara tem que ter prioridades).

Todo esse lance de natal me faz pensar num filme que eu vi há muito tempo, chamado Feliz Natal (Joyeux Noël). O título não diz muito, mas eu acho que é um dos filmes com uma das melhores mensagens que eu já vi, até hoje.

Natal de 1914, Primeira Guerra Mundial. Numa trincheira em algum lugar de (não lembro onde), estão frente a frente trincheiras de alemães, escoceses e franceses. Mesmo na terrível situação em que se encontram, os soldados resolvem tentar curtir o Natal do jeito que der, com os amigos e companheiros.

Primeiro os comandantes resolvem fazer uma trégua, até o fim das festividades, afinal, são todos cristãos. Depois, como todos estão cantando as mesmas músicas – a cena de um soprano alemão cantando a música (em alemão mesmo) enquanto um escocês acompanha na gaita de foles é lendária – , eles resolvem se juntar para celebrar as festividades juntos. No fim das contas o pessoas até joga um futebolzinho juntos.

Claro que isso não termina bem. Como o pessoal não tem mais a menor condição de seguir guerreando, os soldados são despachados pelos seus superiores para outros pontos. Mas fica a mensagem de que no fundo somos todos iguais, apesar de tentarem nos convencer do contrário.

(Caralho, eu realmente escrevi algo tão “do bem” assim. Final de ano me deixa realmente sentimental.)

Written by Dyeison Martins

22 de dezembro de 2009 at 15:01

Publicado em Filmes

Retrato do artista quando miserável

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Eu já havia escrito sobre o velho Charles Bukowski aqui antes. Mas, com o balaio de livros que comprei na Feira do Livro, achei uma boa idéia simplesmente revisitar o Velho Safado.

Comprei dois livros dele, as Crônicas de um amor louco, e Factótum. E é sobre o segundo que escreverei. Escolhi a frase que está escrito na contra-capa do livro para servir de título: “Retrato do artista quando miserável”, uma clara homenagem ao “Retrato do artista quando jovem”, um dos grandes livros do irlandês James Joyce.

Enquanto no livro de Joyce o personagem principal (sempre o Stephen Dedalus) é um jovem perdido no mundo que quer se encontrar, obrigado a carregar uma pesada tabua de valores morais quase medievais. Henry Chinaski (o também personagem de sempre do Bukowski) é um jovem perdido no mundo, como Dedalus. A diferença deles é que Chinaski não quer se encontrar. Quer apenas beber e transar. E escrever.

Dizer que Bukowski é repetitivo é ser repetitivo. Ele sempre aborda os mesmos temas de sempre, sua vida fudida e a falta de qualquer perspectiva. Talvez a grande diferença desse livro para suas crônicas seja o fato do Bukowski aqui ser ainda um rapaz, com seus vinte e poucos anos. Ele já era um amargo sem qualquer perspectiva, mas era bem menos experiente na vida. Ou seja, geralmente metia os pés pelas mãos.

Recomendo para todos os que curtem o estilo. São algumas histórias novas do velho Buk, mas não vai dizer nada de novo para quem já leu boa parte de seus livros (entre eles eu), ou para quem não curte o estilo.

Written by Dyeison Martins

21 de dezembro de 2009 at 14:41

Publicado em Literatura

Filmes de Super-Heróis

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Existem super-heróis e super-heróis. Alguns são legais, outros são uns merdas. E os filmes de super-heróis são geralmente muito ruins, apesar dos fãs de plantão não admitirem. Superman é um herói de merda que só sabe incomodar os outros. Seus filmes, com as célebres exceções do Superman e Superman II – O Retorno, são uma merda. Superman II consegue ser fantástico, com grandes atuações e uma história fabulosa. Nem parece filme do Superman.

Já o Batman tem filmes legais até. O primeirão, aquele com o Tim Burton e o Michael Keaton, do início da década de noventa, é bem legal. Depois veio só merda. O segundo eu não lembro muito bem. O terceiro, com o Val Kilmer, o Chris Odonel, a Nicole Kidman, o Tommy Lee Jones e o Jim Carrey, é uma piada de mal gosto. Para não falar do mal fadado Batman & Robin, que parece mais uma paródia mal feita dos filmes anteriores.

A nova dupla de filmes mostrou que com um bom roteiro e bons atores, é possível sim fazer um bom filme. Mesmo os fracos Christian Bale e Katie Holmes, quando auxiliado por Morgan Freeman, Gary Oldman, Michael Caine, Aaron Eckhard e o recém falecido Heath Ledge, conseguem fazer grandes coisas. A história é legal, o elenco atua muito bem e no final, diversão garantida.

Mas poucas vezes a simbiose ator, personagem foi tão grande quanto com Hugh Jackman como Wolverine, Robert Downey Jr como Homem de Ferro e Tobey Maguire como Homem Aranha,

Wolverine teve participação em todos os filmes dos X-Man, e até mesmo um filme próprio mais recentemente. Vi todos os anteriores, e não achei nada demais. Os filmes até funcionam, mas estão longe de ficarem realmente bons. Quem gostou, gostou, mas eu não vi nada demais.

Homem de Ferro ficou muito bom. Tem um elenco legal e bons efeitos especiais, e uma história interessante. Mas se sobressai mais pelo carisma e excelente interpretação do Robert Downey Jr. Não ouso dizer que ele carrega o filme nas costas, mas ele conseguiu criar um Tony Stark melhor que o Tony Stark original. E isso não é pouco.

Sou suspeito de falar sobre o Homem Aranha. Sou fã dele desde que me entendo por gente. Sei que Tobey Maguire conseguiu ser um Homem Aranha autêntico. Ele consegue ter a cara de mané necessária para ser o personagem. Nenhum dos filmes tem um elenco estrelado, como os anteriores, mas só personagem, boas atuações e uma história fantástica já fazem o trabalho sozinhos. O resultado foram algumas das maiores bilheterias recentes. E na minha opinião o Homem Aranha 2 como o melhor filme de heróis já feito. Mas sobre isso eu posso falar mais tarde.

No somatório filmes de supers são fracos. Tem efeitos especiais legais, mas o enredo não convence, e chamar uns ilustres desconhecidos (geralmente sem talento) para estrelá-los também não dá resultado. Mas as exceções são todas dignas de nota.

Se eu esqueci algum super digno de nota, por favor deixe um comentário que eu posso escrever depois.

Written by Dyeison Martins

17 de dezembro de 2009 at 14:59

Publicado em Filmes

Lista da Autosport diz que Senna foi o melhor

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Numa votação realizada pela revista AutoSport, Ayrton Senna foi eleito o melhor piloto de todos os tempos. Não que isso seja exatamente uma novidade, visto que é típico o brasileiro liderar esse tipo de listagem. Mas a lista em si ficou bem controversa, mesmo que os votantes sejam todos pilotos ou ex-pilotos.

Nas cinco primeiras posições ficaram colocados Senna, Schumacher, Fangio, Jim Clark e Prost. Não saberia colocá-los numa espécie de ordem de preferência, mas sei que são provavelmente os cinco principais pilotos de todos os tempos.

Mas existem coisas estranhas. Fernando Alonso ocupando o 9° lugar. Não que eu não seja fã do espanhol, e não considere ele um gênio, mas há pilotos de maior hierarquia. Quem sabe daqui a cinco ou dez anos, quando ele se aposentar, poderemos ter uma noção maior do seu valor.

Stirling Moss ocupa um honroso oitavo lugar, sendo junto com Gilles Villeneuve os dois únicos não campeões no top 10. Alias, o francês era um grande piloto, mas para estar no top 10 precisaria um pouco mais.

Sendo a AutoSport uma revista inglesa, muitos elegeram como patriotada Nigel Mansell num 11° lugar e Lewis Hamilton num 17°. Discordo da opinião quando ao Leão, que eu considero um dos pilotos mais rápidos que eu vi, apesar de completamente inconseqüente. Mas Hamilton ainda vai ter que comer muito arroz com feijão para estar em 17°.

Os brasileiros Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi ocupam honrosos 13° e 12° posto, respectivamente. Não saberia opinar em relação ao Rato, mas ser o campeão mais jovem até então e largar as chances de ganhar mais títulos para a furada chamada Copersucar. Mas Piquet, considerado por muitos um dos maiores acertadores de carros de todos os tempos, e um dos melhores da década de oitenta, pouco pior que Prost, estar numa 13°posição eu acho pouco. Poderia tranqüilamente ocupar a 10ª posição do Villeneuve.

No mais, mesmo ocupando uma mera 37ª posição, Sebastian Vettel estar nessa lista só pode ser uma piada. É um guri ainda, tem que mostrar muito ao mundo para se tornar alguém.

É uma lista polêmica, mesmo sendo votada por pilotos, muitos poderão discordar dela. Poderão discordar até das coisas que eu discordei. Mas que cada um faça sua lista particular e deixe a dos outros em paz. Eu poderia fazer uma, mas mesmo com o tempo, me falta animação, e como diria Holden Caulfield: Para fazermos algo assim, teríamos que estar mais motivados.

Written by Dyeison Martins

14 de dezembro de 2009 at 14:54

Publicado em Automobilismo