Duelos no Rio da Prata
Quem viu nessas duas últimas quintas-feira o embate entre Velez Sarsfield, da Argentina, e Peñarol, do Uruguai, viu uma disputa como aquelas de antigamente da Libertadores.
Um parenteses: tenho vinte e um anos, então nem eu vi realmente essas Libertadores de antigamente. Talvez por isso romantize demais esses embates, com jogos duros, de marcação, mas também de qualidade técnica e grandes jogadores.
Foi isso que se viu, no Estádio Centenário e no José Amalfitani foi isso, uma patida dura, tensa, psicológica, mas também muito técnica, com pouca “quebra de bola”, como dizemos.
O Velez é um time argentino clássico, com um toque de bola refinado, um time acadêmico que busca a posse de bola, mas também joga duro e marca com todos, e com decisão.
O Peñarol joga mais defensivamente, fechado, cedendo a posse de bola para o adversário e jogando nos contra ataques, contando com a velocidade e técnica de Martinuccio, a precisão de Oliveira e o apoio de Mieler
Os dois jogos foram decididos no detalhe. No primeiro, o Peñarol fez um gol de cabeça num escanteio, e depois se segurou. Teve outras oportunidades, mas desperdiçou. O Velez também criou, mas não converteu. Foi um 1×0 condizente.
No segundo, o Peñarol surpreendeu e começou precionando, e chegando perto do gol. Os argentinos cresceram, começaram a precionar, mas num contra-ataque fulminante, tomaram o gol, que deixou a classificação distante. Fizeram o gol de empate numa falha do goleiro Sosa (acho que a única, até agora na Libertadores), no finzinho do primeiro tempo. Depois, no segundo tempo, um lance inacreditável: contra-ataque fulminante dos uruguaios, e Martinuccio toca para Oliveira, que perde um gol inacreditável. Segundos depois, Santiago Silva faz o 2×1.
Aos trinta do segundo, pênalti para o Velez. Todas as pessoas que estavam assistindo, torcedores ou não, prendem a respiração. O centroavante uruguaio do Velez, “el tanque” Silva, parte para a cobrança… escorrega e manda por cima. Depois, ninguém fez nada de relevante.
Foi para a final o forte time uruguaio.
O velho campeão é um exemplo. Não sei se será campeão, mas os carboneros são o primeiro time em tempos há me empolgar realmente. Um time forte, duro, difícil de ser dobrado, disciplinado e com boas opções técnicas. Toda sorte do mundo para o Peñarol.