Um tira da pesada
Vinte de setembro é, como todos os gaúchos sabem, feriado da Revolução Farroupilha. Eu e a patroa, completamente avessos a esses costumes, preferimos fazer nosso hobbie principal, ver filmes. Os escolhidos, a série Um Tira da Pesada (Beverly Hills Cop), com o grande Eddie Murphy.
O primeiro é um excelente filme de ação/comédia dos anos oitenta. Axel Foley (Eddie Murphy em seu mais marcante papel), um policial malandro das ruas da violenta Detroid, tem seu amigo Mikey assassinado. Suas únicas pistas apontam para Bervely Hills, bairro dos famosos de Los Angeles, California. Primeiro hostilizado pela força policial local, ele encontra na dupla do Sargento John Tagget (John Ashton) e no Detetive Billy Rosewood (Judge Reinhold) dois relutantes aliados na sua investigação. Carregado de uma comédia inteligente, que não cai no erro típico do exageiro, Foley nos surpreende saindo das situações com malandragem e a mais genuina “conversa fiada” da história. A dupla Tagget/Rosewood também mostra desenvoltura e talento, criando eles mesmos situações cômicas. E quando temos ação, é do tipo rápida, um tiroteiro rápido, uma peseguição, e tudo pronto. Uma excelente película.
Como também é muitobom o segundo filme, Beverly Hills Cop II. Sem o erro de repetir as situações do primeiro filme, ele cria uma história interessante dos três policiais trabalhando juntos para resolver o atentando contra seu amigo, o Tenente Andrew Bogomil. Temos um foco maior aos outros personagens, com destaque para o Billy, e diferente da maioria das sequências de comédia, não vemos piadas repetidas. Muita perseguição e tiroteios, e muitas risadas também.
O que os dois primeiros filmes tem de bom, o terceiro tem de pavoroso. Uma continuação completamente sem graça, insossa e desnecessária. Diferente dos dois primeiros filmes, quando tudo era preciso e bem colocado, com poucos momentos desnecessários, e esses geralmente engraçados/interessantes, nesse filme tudo parece chato e deslocado. O enredo simplesmente não convence, e as situações cômicas também não. Mesmo as sequências de ação parecem mal feitas.
O que mais eu posso falar sobre Um Tira da Pesada? É um daqueles filmes da Sessão da Tarde que foram vistos milhões de vezes. Sim, milhões. E mesmo assim, sempre tem graça. Assistir o I e o II nunca é perda de tempo. Agora, assistir o terceiro…
Batman – The Animated Series
Aproveitando as férias da faculdade, eu e a namorada assistimos, do início ao fim, a aclamada série animada da década de noventa do Batman, Batman – The Animated Series.
Eu achava muito legal quando era criança (filmes do Tim Burton ou do Joel Schumacher? É desse desenho que eu visualizo o Batman), mas olhando agora, com um olhar “maduro”, a qualidade da série é absurda.
Começando pelo própria arte. Com um traçado simples, sem procurar detalhar as pessoas (mas também sem chegar a ser uma Anime), muitos tons escuros e marrons. Não é usada computação gráfica, e muitas vezes o desenho assume um tom como se estivesse pintado, para retratar algo mais forte. A abertura de cada episódio conta sempre com uma excelente imagem.
A série é curiosamente atemporal, também. O visual de Gotham City é visivelmente Anos 50. Todo mundo usando sobretudos e chapéus, com aqueles carros de frente alongada. Os capangas parecem que saíram de algum filme antigo, por exemplo. Porém, são vistas coisas como computadores de última geração (até futuristas) e técnologias inexistentes.
A trilha sonora, assinada por um tal Danny Elfman, é maravilhosa. A soma de temas energéticos orquestrados com canções de jazz ajudam a aumentar ainda mais o clima retrô.
Mas como nem tudo é clima e música, os personagens são muito bem construidos. O Batman, é o Batman de verdade. Não é engraçado, não é violento, ele é o que todos esperamos, um taciturno combatente do crime, que respeita a vida e a todos, e só por isso faz o que faz. O Robin também é uma figura ótima, é um jovem, mas não é nenhum idiota descontrolado e imaturo, como já tentaram fazer parecer. E também possui uma idade aceitável (Se o Robin tiver menos de 15, não é sério).
Dos vilões, temos o consagrado Joker sendo dublado por ninguém menos que Mark Hamill (se você não sabe quem é ele, perdeu o meu respeito). Two Faces é uma figura trágica, assim como o Mr. Freeze. Poison Ivy aparece bem, assim como Scarecrow e Mad Hatter. E, criada especialmente para o seriado, Harley Queen nos faz morrer de rir.
As tramas são sempre bem boladas. Episódios mais cômicos, episódios dramáticos… mesmo os fracos são bons. Agora, os ótimos? Que ta Beware the Gray Ghost, onde descobrimos quem era o herói de Bruce. The Christmas with the Joker. It’s Never too late, Dreams in the Dark, as duas partes de Robin Reckoning, a dupla Night of the Ninja e Day of the Samurai, o engraçadíssimo The man who killed Batman, o profundo His Silicon Soul, Almost Got’Im e o emocionante (eu, pelo menos fiquei muito emocionado olhando) I”m the Night. Esses todos só na primeira temporada. A segunda é boa? Assista The Trial, Bane, Babydoll, Showdown (com participação de Jonah Hex), Second Chance, Harley’s Holiday e Deep Freeze e me tire suas próprias conclusões.
Sério, se metade dos filmes já lançados do Batman tivessem a qualidade desse desenho, seriam obras de arte.
Vale a pena ver e rever. Até porque esse é o Batman, o resto são imitações.
A volta Dele
Tenho acompanhando com muito interesse o novo trabalho de Celso Roth no Grêmio. Não que ele seja diferente dos anteriores (não é), mas pela primeira vez ele entra com algum respeito da torcida, devido principalmente ao medo do rebaixamento.
Roth tem aquele seu jeito, e aqueles seus problemas de sempre. Mesmo assim, ele geralmente chega e coloca ordem na casa. E como o ponto baixo do Grêmio nesse ano é justamente sua desorganização, sua falta de impenho e indiciplina.
O nosso querido presidente Odone, do alto de sua sabedoria, derrubou tudo e todos do Olímpico para colocar Celso em seu cargo, e também para reintegrar seu velho escudeiro, Paulo Pelaipe.
Tinha dúvidas durante a contratação de Julinho Camargo, mas dessa vez tenho fé que as coisas vão melhorar. Roth não é o melhor técnico do mundo, mas está longe de ser o pior. ele vai fazer o time trabalhar e jogar.
Claro, não garanto resultados depois dos primeiros seis meses. Mas, como o objetivo é não ser rebaixado, e conseguir uma vaguinha para a Sul-Americana, é o que temos.
A Celeste retorna
Como brilhantemente o jornal As iniciou a matéria que contava o feito do Uruguai na Copa América de 2011, “Futebol se joga onze contra onze, e no final ganham os uruguaios”, como já foi dito por todos os cantos da América do Sul.
É difícil, para aqueles que nasceram na década de oitenta, imaginar uma seleção celeste forte e vencedora. Depois do fim da era Francescoli, não sobrou nada para a antiga forte seleção.
No caso, essa decadência começou na década de noventa. Na década de oitenta e setenta, tanto os times quanto a seleção venceram títulos. Vários jogadores marcantes apareceram por esse tempo, meu preferido o já referido meia do River Plate, Enzo Francescoli (que eu tive o privilégio de ver jogar).
Depois, com o começo dos anos 90, o futebol uruguaio começou a minguar. Tanto a seleção quando o Peñarol e o Nacional entraram em decadência. O título em casa, vencendo o Brasil campeão do mundo, nos penaltis (golaço de falta de Bengoechea) marcou o fim de uma era.
Depois disso, uma classificação suada para a Copa de 2002, onde o país terminou na primeira fase. A não classificação para a Copa de 2006, perdendo para a Australia, nos penaltis, foi um escândalo.
Depois de uma classificação sofrida para a Copa de 2010, onde só conseguiu o acesso com uma vitória fora, o Uruguai venceu a Costa Rica lá e empatou aqui, conseguindo, quase um milagre. Todos previam um fiasco Uruguaio. Para pior, o grupo em que a Celeste entrou tinha os anfitriões (Africa do Sul), México e a França.
Surpreendentemente, ele consegue a primeira colocação. Vence a frágil Coréia do Sul nas oitavas. Num jogo lendário contra Gana, nas quartas, empata e leva aos pênaltis, com Luiz Suares defendendo com a mão uma bola que ia entrar dentro do gol no último minuto. O atacante ganense erra, e leva o jogo aos penais. Os uruguaios prevalecem.
Em outro épico, os uruguaios perdem para a Holanda nas emi-finais, depois de um jogo complicado. Na disputa com a Alemanha, na disputa do terceiro lugar, o jogo terminou 3×2 para os germânicos, com Diego Forlan acertando a trave no último lance.
Forlan, esse, que foi eleito o Bola de Ouro da competição.
No ano seguinte, Copa América, na Argentina. Todos esperavam mais um duelo Brasil x Argentina na final, com a Celeste talvez surpreendendo, mas apenas como a terceira força. Eis que ambas decepcionam na primeira fase. Na segunda, o Brasil cai eliminado nos penaltis pelo Paraguai, e o Uruguai elimina a anfitriã. Ambos os times iam se encontrar depois, na final, onde o Uruguai goleou com facilidade. Depois de dezesseis anos, o Uruguai é campeão da Copa América.
Essa é a história de um renascimento de uma seleção. Que foi vice-campeã mundial Sub 17, campeã Sulamericana Sub 20, quarta colocada no Mundial de 2010 e Campeã da Copa América de 2011. Gosto de imaginar que estamos vendo um Uruguai que está se refazendo, com uma geração forte e outra se preparando.
Quem se beneficia são os amantes do esporte. (Até porque ver amarelões como Chile e Equador se dando bem…)
Arquivo X – O filme
Sempre tem aquela coisa quando um seriado de sucesso passa para o cinema: acaba sempre se tornando um episódio maior e mais épico, onde fica visível que houve um aumento das verbas, mas não da história. Acho que o caso mais clássico foi o do filme dos Power Rangers (sim, desculpe lembrar vocês disso, eu era criança e gostei na época, mas também é só um super episódio, com uniformes novos).
Arquivo X, o filme, que liga a quinta e a sexta temporada, é apenas isso: um super episódio. Bem bolado, com efeitos especiais legais de última geração (pelo menos para a época), e contando com uma história bacana, mas meio clichê, em se tratando do seriado.
Um virus alienígena é achado numa caverna em Dallas, infectando dois bombeiros e uma criança. Pouco depois, um prédio do governo é explodido, com a participação de Terry O’Quinn (sim, o grande John Locke, de Lost). Os agentes Fox Mulder (David Dochovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) falham em deter a explosão, e depois se vem colocados como culpados do atentado. Com a ajuda de um médico desacreditado (Martin Landal), eles vão atrás do virus e da verdade por trás disso.
O filme em si, é bom. Mas não é nada de espetacular, pelo menos visto separadamente da série. Para os excers (fãs de Arquivo X), várias coisas novas são lançadas, informações importantes para o início da série, como o aparecimento de novos personagens, a morte de outros (principalmente o Homem de unhas bem feitas), entre outros.
Agora, como eu disse, o grande toque do filme são os efeitos. Na série, o carro apenas chega no local, aqui ele vai andando com uma panorâmica. Um helicóptero vai voando pela cidade, carregando O’Quinn. Mulder andando de carrinho no gelo (não sei o nome daquilo. Entre outros detalhes que querem dizer: “olha que legal, temos bastante dinheiro agora”.
A grande frustração: o quase beijo entre Mulder e Scully. Eu até sabia que eles não iam se beijar, mas torci como um gol do Grêmio quando eles não se beijaram. Mas virá, eu sei. (Porque a capa de um dos DVDs da oitava temporada tem eles se beijando).
Seguiremos agora com a série. Que venha a sexta temporada.
Uma queda há muito esperada
Então, finalmente Renato foi demitido do Grêmio. Não porque eu ansiasse pela sua queda, mas porque era um desdobramento esperado devido aos resultados em campo.
Eu ainda sou do princípio de que só poderiamos ter uma análize certeira do trabalho de Renato quando o time se encontrasse mais inteiro, em relação a reforços. Só que nem isso desculpa as invencionísses de Renato nos últimos tempos.
Vamos ser realistas. Desde o primeiro momento, o Renato não ficou satisfeito com Odone, assim como Odone não queria ele, por ser contra suas filosofias de futebol. Mas, como foi o pedido, ambos tiveram de, a contra gosto, se aliarem.
Na montagem do time, ficou claro que Odone seguiu as indicações de Renato, salvo excessões (Escudeiro). Também ficou claro que as apostas do técnico acabaram não dando certo, com Carlos Alberto sendo um desastre, e Rodolfo também fracassando. Quanto ao argentino, foi claramente preterido até agora.
Claro que o presidente também cometeu erros imperdoáveis, como a tentativa frustrada de trazer Ronaldinho, e graças a isso perder a estrela do time na vitoriosa campanha do ano passado, Jonas. (Sim, hoje podemos falar nesses termos. Jonas era o diferente no time, com sua saída, tudo ruiu).
Depois, Renato começou a insistir com um padrão de jogo nascido morto, que foi com o quadrado Carlos Alberto, Douglas, André Lima e Borges. Só desistiu disso quando o centroavante se lesionou.
No final das contas, as lesões, os enfrentamentos com a direção, as idéias patéticas, a manutenção de jogadores abaixo da crítica contra a escolha de nomes melhores e disponíveis (Gilson x Bruno Collaço, Carlos Alberto x Escudeiro, Rafael Marques x Saimon, e agora mais recentemente, Lucio x Escudeiro).
Outras atitudes, como a suposta saída para o Fluminense, o campeonato de futvôlei… Todas essas atitudes foram o fazendo perder seu grande crédito com a torcida.
Claro que o arremendo de time que foi a campo nesse Brasileirão não pode ser considerado, mas mesmo assim, o time foi muito mal montado e organizado. Jogadores simplesmente não rendiam mais, como Douglas, Gabriel e Lúcio.
Enfim, em algum momento do ano, ficou visível que Renato se perdeu, ou dizem alguns, havia achado o esquema e sistema do ano passado por mais sorte que qualquer coisa. As peças mudaram, e ele tentou repetir o mesmo com outras, sem sucesso. Insistiu com os nomes errados no momento errado. Perdeu o Gauchão.
Tentou fazer algo novo, e também não conseguiu. Brigou com a direção e deu um ultimato exigindo reforços. Alguns vieram, outros não. Antagonizou claramente o Odone. Por fim, pediu para sair.
Termina a história do maior ídolo do Grêmio na casamata. Ou, pelo menos, por enquanto.
Arquivo X – 5a temporada
O meu presente de Natal desse ano – porque acredito que todas as pessoas que tem empregos e dinheiro também se dão presentes de Natal (ou eu sou profundamente perturbado por me presentear em todas as datas importantes, tipo aniversário, Pascoa, Dia das Crianças… , ok, acho que não deveria ter comentado essa) – foi uma caixa gigantesca contendo a série completa inteira de Arquivo X. Já possuia a primeira e a segunda comprada separadamente, em diversos momentos, então comecei a ver a partir da terceira.
Vi elas a bastante tempo, mas agora assisti a quinta temporada, e arrisco dizer que foi, até agora, a melhor do seriado. Depois de duas temporadas muitos boas, a primeira e a segunda, da terceira até agora, a quinta, o seriado conseguiu um nível de excelência superior. Episódios engraçados, dramáticos, a mitologia se acertando…
Começando de maneira lendária, a temporada segue na sequência do que aconteceu, com o suposto suicídio de Mulder e o câncer de Scully, numa série de eventos que levam o agente Mulder a pensar que não existe alienígenas de fato, numa interessante virada da história. Depois retornamos uns anos, quando são formados os Pistoleiros Solitários.
Depois somos apresentados a Emily, suposta filha de Scully e híbrido alienígena. Temos o retorno de Robert Modell, do episódio “O Instigador”. No episódio O Feitiço, temos roteiro de Stephen King e em Vivendo No Ciber Espaço, o roteiro é de William Gibson. O engraçadíssimo Vampiros, com a participação de Luke Wilson, também é ótimo.
Depois, temos um avanço considerável na história no episódio duplo A Paciente X, sobre uma mulher abduzida que tem contato com os alienígenas. Essa dupla creio que seja fundamental para a temporada e o seriado como um todo. Depois, mais informações sobre o passado em “Os simpatizantes”, onde sabemos mais sobre o velho Bill Mulder.
No final, tempos o religioso (e belo) O Serafim, temos o thriller de ação e suspense “Biotoxina”, onde Mulder banca o agente duplo. Talvez o episódio de suspense mais foda de todos os do Arquivo X, Loucura Coletiva, com umas sacadas muito boas e muito terror.
Em O Fim, o episódio final da temporada, vemos o retorno triunfal do Canceroso, retornando a pedido do Sindicato, para tomar controle da situação. Descobrimos mais sobre o passado de Mulder, e também que ele agora é alvo do Sindicato.
O nível da série é altíssimo na quinta temporada. Excelentes atuações, histórias ótimas, episódios memoráveis. Nesse momento, a história se encontra provavelmente em seu ápice.
(Medo da sexta temporada).
PS: Antes que perguntem, eu assisti a sétima e oitava na época que sairam, mas terei que rever novamente. E, até agora, a terceira, quarta e quinta são bem superiores a todo o resto.
Meia noite em Paris, de Woody Allen
Aguardava o lançamento desse filme há algum tempo. Depois do frustrante “Você vai conhecer o homem de seus sonhos” (You will meet a tall dark stranger), esperava qual carta o velho Woody Allen ia tirar da manga.
Torci o nariz para boa parte do elenco, como Owen Wilson, Rachell McAdams e Carla Bruni, aplaudi a escolha da linda Marion Cotillard (mas também por ela ser uma boa atriz).
Estreiou, e eu fui ver Meia Noite em Paris (Midnight on Paris). E só tenho elogios para ele. Allen novamente acertou na mistura de reflexão e comédia, com uma fotografia que remete a “Manhattan” (77), onde mostra a Nova York de uma maneira romântica. Dessa vez, a escolhida foi a capital francesa, com seus monumentos e pontos históricos.
Owen Wilson é o “Woody Allen” da vez. Ele mescla o estilo do neurótico diretor nova-iorquino com seu próprio estilo, surfista mais comédia boba. Acerta ao dar uma visão mais orginal para o papel que o próprio diretor imortalizou, e depois repassou para Keneth Bragath, Jason Biggs, Michael Caine, e outros.
A história gira em torno de um roteirista de Hollywood (Wilson), que tem o sonho de ser um escritor de romances. Ele viaja a Paris pouco antes de seu casamento com uma patricinha mimada (McAdams), para se inspirar nos seu ídolos, que viviam na Paris dos anos 20.
Qual é sua surpresa, ao toque da meia noite, um velho Peugeot o chama. Nele, estão Scott e Zelda Fitzgerald. Depois, vai topar na noite com Ernest Hemigway, Salvador Dali, Pablo Picasso, Gertude Stein, Cole Porter e outros. Mas é a jovem Adriana (Cotillard) que vai mexer com o coração dele.
Vendo a crise de seu noivado, e sua atração crescente a jovem francesa, ele vai revitalizar seu romance, com ajuda e sábios conselhos de seus amigos. E, claro, seus seguidos passeios pela noite parisiense vão chamar a atenção das pessoas ao seu redor.
Recomendo “Meia Noite em Paris” para todos que gostem de um bom filme. Não é nem um pouco pretencioso, ou “pseudointelectual”. É apenas uma agradável e engraçada película sobre sonhos, aspirações e como enfrentamos a realidade, geralmente tentando fugir dela.
Finais da Liga
Vou inaugurar um tema novo aqui no blog (já que ele anda tão atirado as traças). As finais da NBA.
Lembro que assisto basquete desde pequeno, apesar de ele não passar muito seguido nas TVs daqui. Os jogos da seleção (únicos que passavam mais ou menos) não me chamavam a atenção. Quando pudia, via a NBA na Band. Mas era muito raro passar. Mas tenho ainda na minha cabeça coisas como Michael Jordam, “Magic” Johnson, Larry Bird, Patrick Ewing, Scottie Pippen, entre outros monstros. Depois, acompanhava apenas ocasionamente.
Bem, minha condição financeira melhorou, coloquei uma TV a cabo lá em casa. E, por sorte, pude ver todo os jogos das finais da NBA, entre o Dallas Maverick e o Miami Heat.
Conhecia um pouco sobre os jogadores. Sabia que Dirk Nowitzki era um senhor jogador, que o velho Jason Kidd jogava muito, conhecia Dwayne Wade e Chris Boch. E, queria ver acima de tudo, Le Bron “King” James.
No final, estava torcendo pelos Mavericks, pois achava o Heat mais time. Mas estava enganado. O pessoal de Miami se escora demais nas costas de seu “trio de ouro”, enquanto os texanos tem um conjunto mais forte e equilibrado, e, conforme as partidas iam avançando, bem mais concentrado e melhor treinado.
James foi a decepção em pessoa. Em nenhum momento foi o grande jogador que todos nós sabemos que pode ser. Wade foi o grande jogador dos Heat, mas não foi o bastante. Bosh foi eficiente, mas o ex-Toronto Raptors não foi determinante.
Alias, nenhum jogador o foi. Do lado do Mavericks, a grande figura foi Nowizki, mas ele alternou bons e maus momentos a série inteira. Claro, quando necessário, ele fez a diferença.
O importante na final foi o conjunto texano. Os jogadores entravam e saiam, e o time não decaia muito. Diferente do Miami, que, com Le Bron James em mau momento e (depois do 5° jogo) Dwayne Wade lesionado, simplesmente morreu em campo.
Essa é aquela lição que o esporte coletivo nos ensina, desde sempre. Não é montar um conjunto de estrelas, só fazer um bom time, bem treinado e com vontade.
Isso, os Mavericks tiveram, os Heat não.
Duelos no Rio da Prata
Quem viu nessas duas últimas quintas-feira o embate entre Velez Sarsfield, da Argentina, e Peñarol, do Uruguai, viu uma disputa como aquelas de antigamente da Libertadores.
Um parenteses: tenho vinte e um anos, então nem eu vi realmente essas Libertadores de antigamente. Talvez por isso romantize demais esses embates, com jogos duros, de marcação, mas também de qualidade técnica e grandes jogadores.
Foi isso que se viu, no Estádio Centenário e no José Amalfitani foi isso, uma patida dura, tensa, psicológica, mas também muito técnica, com pouca “quebra de bola”, como dizemos.
O Velez é um time argentino clássico, com um toque de bola refinado, um time acadêmico que busca a posse de bola, mas também joga duro e marca com todos, e com decisão.
O Peñarol joga mais defensivamente, fechado, cedendo a posse de bola para o adversário e jogando nos contra ataques, contando com a velocidade e técnica de Martinuccio, a precisão de Oliveira e o apoio de Mieler
Os dois jogos foram decididos no detalhe. No primeiro, o Peñarol fez um gol de cabeça num escanteio, e depois se segurou. Teve outras oportunidades, mas desperdiçou. O Velez também criou, mas não converteu. Foi um 1×0 condizente.
No segundo, o Peñarol surpreendeu e começou precionando, e chegando perto do gol. Os argentinos cresceram, começaram a precionar, mas num contra-ataque fulminante, tomaram o gol, que deixou a classificação distante. Fizeram o gol de empate numa falha do goleiro Sosa (acho que a única, até agora na Libertadores), no finzinho do primeiro tempo. Depois, no segundo tempo, um lance inacreditável: contra-ataque fulminante dos uruguaios, e Martinuccio toca para Oliveira, que perde um gol inacreditável. Segundos depois, Santiago Silva faz o 2×1.
Aos trinta do segundo, pênalti para o Velez. Todas as pessoas que estavam assistindo, torcedores ou não, prendem a respiração. O centroavante uruguaio do Velez, “el tanque” Silva, parte para a cobrança… escorrega e manda por cima. Depois, ninguém fez nada de relevante.
Foi para a final o forte time uruguaio.
O velho campeão é um exemplo. Não sei se será campeão, mas os carboneros são o primeiro time em tempos há me empolgar realmente. Um time forte, duro, difícil de ser dobrado, disciplinado e com boas opções técnicas. Toda sorte do mundo para o Peñarol.